Economia

Com foco no BC, Ibovespa fecha em baixa de 0,66%, a 122.202,47 pontos

Da Redação ·

O Ibovespa esboçou pela manhã engrenar o terceiro dia de recuperação moderada, mas perdeu fôlego à tarde, em meio ao reforço da percepção de que o BC está atrás da curva, correndo contra o tempo para fazer com que a inflação de 2022 possa convergir para a meta. Ao fim, tendo renovado mínima do dia a 122.061,47 pontos após participação do diretor de Política Monetária do Banco Central, Bruno Serra, em evento do Goldman Sachs, o Ibovespa mostrava perda de 0,66%, aos 122.202,47 pontos, saindo de máxima a 123.512,77, com abertura a 123.021,24 pontos. Moderado, o giro foi de R$ 26,8 bilhões nesta terça-feira.

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No mês, o Ibovespa avança 0,33%, acumulando ganho de 2,68% no ano e cedendo 0,49% na semana.

Em Nova York, o dia foi misto, com o Nasdaq (-0,49%) devolvendo os leves ganhos de segunda-feira, quando havia se descolado de Dow Jones e S&P 500, que vinham então de recordes de fechamento - nesta terça, os índices blue chip e amplo de Nova York subiram, respectivamente, 0,46% e 0,10%, no dia em que o Senado americano aprovou aguardado pacote trilionário para investimentos em infraestrutura.

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"O viés está otimista no mercado internacional, com Europa também renovando recordes e petróleo em recuperação. A ata do Copom, pela manhã, trouxe preocupações do Banco Central com o risco fiscal e com a persistência do cenário de inflação ao consumidor, frente a incertezas com relação à crise energética, um ponto bastante relevante. Vem mais alta para a Selic, com sinalização para taxa de juros acima do patamar neutro", diz Bruno Madruga, head de renda variável da Monte Bravo Investimentos.

"Pela manhã, o Ibovespa brigou ali na região dos 123 mil pontos (perdida ainda no começo da tarde), perto da estabilidade. O tom mais 'hawkish' na ata do Copom chamou a atenção, assim como o compromisso com o controle da inflação. Apertos seguidos serão necessários para levar a taxa de juros acima do patamar considerado neutro para que, assim, as projeções de inflação fiquem na meta. O IPCA, acima do esperado tanto no mensal como no anual, alinha-se ao discurso do BC", observa Stefany Oliveira, analista da Toro Investimentos.

No exterior, o Brent chegou a retomar o nível de R$ 71 por barril durante a sessão, em alta então na casa de 3%, o que favoreceu desempenho levemente positivo de Petrobras (ON +0,03%, PN +0,32%) no fechamento, em dia no qual Vale ON (+0,96%) e siderurgia (Gerdau PN +2,52%, Usiminas PNA +2,70%), mesmo com os preços do minério em mínimas de mais de quatro meses na China (em baixa pela quinta sessão), contribuíam para contrabalançar o efeito negativo das ações de bancos (BB ON -2,54%, Santander -2,24%, Itaú PN -1,89%). Na ponta negativa do Ibovespa, Iguatemi cedeu 3,74%, à frente de Eneva (-3,35%), CCR (-2,89%) e Lojas Americanas (-2,73%). No lado oposto, PetroRio subiu 6,48%, Embraer, 3,27%, e Usiminas, 2,70%.

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"O mercado aqui destoou hoje do internacional, com Europa positiva e recuperação vista também na Ásia, em que os resultados corporativos têm ficado acima das estimativas, em sua maioria. Não conseguimos acompanhar o bom humor do exterior, também decorrente do pacote de infraestrutura nos Estados Unidos. Falas e algumas posições do nosso macro voltaram a interferir no mercado. À primeira vista, a questão da reforma tributária, com a declaração do relator na Câmara, deputado Celso Sabino (PSDB-PA), de que pode ser colocada em votação amanhã ou depois, com algumas alterações, mantém desconforto no mercado, que ainda não conhece a versão final", diz Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos.

"A preocupação do Serra (BC) com a inflação também chamou atenção, favorecendo a realização, principalmente em bancos, que vieram de fortes ganhos ontem. Por outro lado, siderurgia subiu hoje muito por conta do pacote nos Estados Unidos, que dá suporte à demanda por aço", acrescenta Moliterno.

Na macroeconomia, o diretor de Política Monetária do Banco Central reconheceu que os dirigentes da instituição estão se surpreendendo a cada ciclo de decisões do Copom com os condicionantes da inflação. Em evento promovido pelo Goldman Sachs no período da tarde, Serra disse que "muita coisa mudou" de um ano para cá, entre as quais o retorno do PIB a nível anterior ao da pandemia.

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Serra observou que, na virada de 2020 para 2021, o BC e o próprio mercado financeiro imaginavam que o hiato do produto continuaria aberto "por muito tempo", o que "não se materializou". "Vimos o hiato de produto se fechando rapidamente e vimos que juro a 2% não fazia mais sentido", acrescentou o diretor de política monetária, em referência à Selic, que permaneceu neste patamar até março.

Nesta terça, com o IPCA pressionado a quase 9% em julho no acumulado em 12 meses, maior nível desde maio de 2016, diversas instituições financeiras, entre as quais Bank of America e Barclays, revisaram para cima as estimativas de inflação para este e em alguns casos para o próximo ano, apesar de o Copom ter sinalizado, na ata desta manhã, viés "hawkish", o que inclui novo aumento de 1 ponto porcentual na Selic em setembro. O IPCA a 0,96% em julho, maior nível para o mês desde 2002, pressionado em especial pelas tarifas de energia elétrica, veio no mesmo dia em que a ata.