Economia

Com exterior positivo, Ibovespa emenda 3º ganho e retoma os 98 mil pontos

Luís Eduardo Leal (via Agência Estado) ·
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O Ibovespa acompanhou a acentuação de ganhos em Nova York ao longo da tarde desta terça-feira, 19, e conseguiu recuperar a linha dos 98 mil pontos, não vista em fechamento desde a terça-feira passada, dia 12. Assim, encerrou hoje em alta de 1,37%, aos 98.244,80 pontos, entre mínima de 96.917,30 e máxima de 98.346,17 na sessão, saindo de abertura aos 96.919,84 pontos. Ainda fraco, o giro ficou em R$ 18,8 bilhões nesta terça-feira. Na semana, o Ibovespa avança 1,75%, limitando a perda do mês a 0,30% e a do ano a 6,28%. Foi o terceiro ganho seguido para a referência da B3.

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Na ponta do Ibovespa, Alpargatas subiu 8,35%, à frente de Marfrig (+8,23%) e de Embraer (+7,70%), com Yduqs (-4,01%), Cogna (-3,32%) e Fleury (-2,49%) na ponta oposta. Entre as blue chips, o sinal prevalente na sessão foi positivo, com destaque para Bradesco PN (+3,66%) e Petrobras PN (+2,03%). As siderúrgicas também tiveram recuperação, com destaque para Usiminas (PNA +3,31%), Gerdau (PN +2,61%) e CSN (ON +2,36%), em dia de avanço modesto para Vale (ON +0,22%).

Os mercados acionários da Europa também fecharam o dia em alta, com os investidores na expectativa pela decisão monetária do Banco Central Europeu (BCE) na quinta-feira, quando se espera o primeiro aumento de juros em 11 anos na zona do euro. Hoje, o índice pan-europeu Stoxx 600 subiu 1,38%, a 423,41 pontos, apesar do nível recorde de 8,6% ao ano para a inflação no bloco da moeda única em junho, divulgada pela manhã.

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"A B3 seguiu hoje o movimento de recuperação nas principais bolsas dos Estados Unidos e da Europa. Na próxima semana, há nova decisão do Federal Reserve sobre juros, e houve (desde ontem) melhora da perspectiva para a reunião, de que poderá vir um aumento de 75 pontos-base, e não mais de 100 pontos como chegou a se precificar. Essa reprecificação do aumento de juros trouxe certa calmaria para os mercados, com busca por pechinchas nas bolsas", diz Dennis Esteves, especialista em renda variável da Blue3, acrescentando que a recente correção das ações resultou em oportunidades de compra.

"Estudo do Bank of America indica que a alocação em ações está no menor patamar desde outubro de 2008, o que contribui para a animação dos investidores, ao sinalizar um possível 'fundo' (atingido)", observa Esteves, referindo-se também à expectativa relativamente favorável para a temporada de resultados trimestrais. Assim, depois da forte realização até o início do mês, os mercados podem estar começando a ter um "respiro", diz o analista. "Hoje, surfou o bom humor externo."

O dia foi negativo para o minério na China (queda de 3,27% em Qingdao), mas o petróleo manteve a retomada, ainda que moderada na sessão, com Brent e WTI de volta aos três dígitos por barril. "Vemos um mundo em que commodities vão ficar valorizadas por um bom período e as empresas que as produzem terão lucros extraordinários em horizonte relevante. Vemos o ajuste de curto prazo sendo feito pela redução do ritmo de atividade econômica no mundo, um período de baixo crescimento que começa a se desenhar com clareza. Com a desaceleração em marcha devemos estar muito perto do pico da inflação no Ocidente", avalia em carta trimestral a Reach Capital.

"No atual momento, estamos diminuindo a exposição a commodities, com exceção das empresas ligadas a petróleo, e aumentando a exposição a bancos com baixo risco de inadimplência de pessoas físicas, utilities com crescimento/aumento eficiência e mais CDI do que nossa média habitual, esperando o melhor momento para aumentar nossas posições nas empresas cíclicas locais e que estão nos melhores preços em mais de uma década", acrescenta a casa.