Economia

Com cautela externa, Ibovespa cai 0,32%, aos 98.294,64 pontos

Luís Eduardo Leal (via Agência Estado) ·
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A aversão a risco desde o exterior - com fracas leituras finais sobre índices de atividade na Alemanha e na zona do euro em junho, que contribuíram para reforçar temores quanto a uma recessão global - lançou os ativos em nova espiral de perdas, com destaque para o petróleo Brent, em queda de 9,45% durante a sessão, e para as bolsas do velho continente, em recuo de quase 3% no fechamento (Frankfurt). Em Wall Street, Dow Jones e S&P 500 cediam mais de 1%, enquanto o Nasdaq mostrou descolamento (+1,75%) até o encerramento.

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Ao final, os outros dois índices de Nova York moderaram muito o ajuste (Dow Jones -0,42%), com o S&P 500 revertendo ao positivo (+0,16%). E, na B3, onde os investidores já vinham lidando com as preocupações em torno da 'PEC Kamikaze', o Ibovespa cedeu apenas 0,32%, aos 98.294,64 pontos, quando parecia, em boa parte da sessão, a caminho do que seria o menor fechamento do ano, abaixo dos 98 mil pontos, permanecendo em níveis do começo de novembro de 2020.

Entre mínima e máxima, oscilou hoje dos 96.499,42 - piso intradia desde 4 de novembro de 2020 (95.987,42) - aos 98.607,87, marca quase idêntica à abertura (98.607,57). Com a retomada dos negócios em Nova York após o feriado da Independência americana, o giro financeiro foi a R$ 26,5 bilhões nesta terça-feira. Na semana, o Ibovespa cede 0,67%; no mês, 0,25%, e no ano, 6,23%.

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Se o petróleo havia ajudado a descolar Petrobras de outras blue chips nas duas sessões anteriores, hoje a queda livre da commodity colocou a petrolífera (ON -4,27%, PN -3,81%) e o setor na ponta negativa do Ibovespa, tendo 3R Petroleum (-7,44%) e PetroRio (-7,11%) logo à frente. Algumas ações, especialmente as muito descontadas no ano, como Magazine Luiza (+11,74%), acabaram sendo uma válvula de escape para o dia na B3. Na ponta do Ibovespa, destaque também para Via (+11,48%), Americanas ON (+9,73%) e Petz (+8,65%). Assim como para Petrobras, o dia foi majoritariamente negativo para empresas e setores de maior liquidez, como Vale (ON -0,50%) e siderúrgicas (CSN ON -1,81%), enquanto os grandes bancos conseguiram oscilar para ganhos em direção ao fechamento, à exceção de BB ON (-0,54%).

"Hoje, mais cedo, a curva de juros americana (taxas de 2 e 10 anos) chegou a inverter e isso geralmente é associado com recessões econômicas anteriores nos Estados Unidos", observa Jennie Li, estrategista de ações da XP. Lá fora, a queda dos yields dos Treasuries, por outro lado, beneficia "as empresas de alto crescimento que sofreram bastante nos últimos tempos por conta do aumento de juros", acrescenta a estrategista. "Então, estamos vendo um movimento de recuperação e certo alívio em empresas como Magalu, aqui no Brasil."

No front doméstico, desdobramento relativamente positivo para as preocupações em relação às contas públicas foi o recuo do relator na Câmara, deputado Danilo Forte (União Brasil-CE), quanto a incluir novo benefício à PEC, um auxílio-Uber, que elevaria a R$ 50 bilhões o volume de recursos fora do teto. "Temos pressão do cronograma, que tem de se encerrar até 15 de julho", disse hoje o relator, observando que eventuais alterações incluídas e aprovadas levariam a questão de novo ao Senado, estendendo a tramitação.

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Na B3, "a liquidez tem sido baixa, especialmente ontem com o feriado nos Estados Unidos, e o investidor tem preferido a cautela. Há pressão inflacionária no exterior, principalmente na Europa e nos Estados Unidos, o que alimenta a incerteza sobre o nível dos juros americanos, retirando recursos das bolsas ao redor do mundo, com muito investidor preferindo voltar aos Estados Unidos", diz Gabriel Meira, especialista da Valor Investimentos, mencionando como ponto desfavorável ao Brasil o "risco fiscal".

"A volta do feriado nos Estados Unidos foi negativa. Aumentos de lockdown na China ainda preocupam, apesar do zero a zero visto hoje nas bolsas de lá, com dados positivos sobre a economia local (PMI Caixin, mostrando retomada de atividade). O minério segue pressionado, o que se reflete nas ações do setor aqui. Lá fora, o VIX (índice de volatilidade em Wall Street, com base em opções do S&P 500) subia pela manhã e os yields dos Treasuries cediam. Cenário de recessão nos Estados Unidos, com efeito global, ainda preocupa", observa Bruno Madruga, head de renda variável da Monte Bravo Investimentos.

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"Tensão geral com o medo de recessão, tanto nos Estados Unidos como na Europa. Há um movimento de queda de commodities, com o minério de ferro vindo abaixo de US$ 110 (por tonelada), mínima de 7 meses, com queda de 12% nesses últimos quatro dias. Há alguma retomada de casos de covid na China, com lockdown em Macau. E o temor de recessão já está batendo nas commodities", diz Paulo Gala, economista-chefe do Banco Master.

O ministro da Economia da Alemanha, Robert Habeck, afirmou que o país pode enfrentar uma grave recessão no futuro próximo, devido aos altos preços de energia, à queda da demanda interna e à diminuição dos investimentos privados, além de uma "divisão" quanto à realidade social do país.

"O cenário internacional segue dominado pelo sentimento de aversão a risco, à espera da divulgação da ata da última reunião do Fomc (comitê de política monetária do Fed), amanhã, assim como de dados do mercado de trabalho americano, na sexta-feira. Os mercados buscam sinais sobre o estado da economia americana e quanto aos próximos passos" do BC dos Estados Unidos, aponta Antônio Sanches, analista da Rico Investimentos.