Economia

Com alívio por Opep e China, Ibovespa sobe; investidor segue atento ao político

Da Redação ·

O investidor local tende a se dividir entre o tom otimista do exterior e a cautela interna motivada pela expectativa de divulgação da gravação da reunião ministerial do dia 22 de abril, na qual ficaria evidente a intenção do presidente Jair Bolsonaro de interferir na Polícia Federal, conforme acusa o ex-ministro Sergio Moro. Conforme apurou o Estadão/Broadcast, o decano do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Celso de Mello, teria ficado "incrédulo" com o vídeo do encontro ministerial de 22 de abril.

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Já a motivação externa vem da notícia de que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e a China se comprometeram publicamente a trabalharem juntas para ajudar a estabilizar o mercado mundial do petróleo. Os preços seguem em níveis baixos, movimento que já vinha mesmo antes do novo coronavírus, que reduziu a demanda. Nesta quarta-feira, as cotações avançam acima de 3% no exterior, amparando ganhos de até 2,90% das ações da Petrobras na B3.

O Ibovespa abriu em alta, seguindo o tom positivo principalmente em Nova York, onde as bolsas sobem acima de 1%. Às 10h45, o índice da Bovespa tinha alta de 1,07%, aos 81.603,16 pontos, após alcançar a máxima aos 81.908,40 pontos. Apesar do anúncio da saída do quarto ministro do governo Bolsonaro este ano, o mercado doméstico, sobretudo o acionário e o cambial, segue positivo, refletindo o desempenho externo.

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Bolsonaro demitiu nesta manhã Regina Duarte, da Cultura, após dias de "fritura". Alegando que a atriz sente falta da família, que vive na capital paulista, concedeu a ela um cargo na Cinemateca de São Paulo.

No entanto, as declarações "otimistas" da China em conjunto com a Opep contribuem com a melhora dos ativos, em uma semana marcada pelo clima mais ameno entre os investidores à luz da reabertura de economias e de sinais de avanços nas pesquisas contra a covid-19, cita em nota o economista Silvio Campos Neto, sócio da Tendências Consultoria Integrada.

Campos Neto, no entanto, pondera que ruídos locais sustentam alguma cautela. "Os números alarmantes da epidemia no País e as turbulências políticas não autorizam otimismo por ora", avalia.

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A expectativa é de que o vídeo do encontro ministerial do qual participaram Moro e Bolsonaro seja divulgado na íntegra, inclusive com isso ocorrendo ainda nesta quarta, o que tende a prejudicar mais a imagem já desgastada do Brasil no exterior, a depender do seu conteúdo. Neste sentido, a volta do investidor para o mercado interno ficaria cada dia mais difícil, ainda mais levando em conta as contínuas atitudes de Jair Bolsonaro em relação ao novo coronavírus.

Ontem, quando o País alcançou a marca de mais de mil mortes registradas pelo vírus, o presidente, que defende o uso de cloroquina como medicamento para atenuar a doença, foi infeliz ao fazer mais uma piada sobre o assunto. "Quem é de direita toma cloroquina, quem é de esquerda, Tubaína", disse o mandatário.

"Isso piora ainda mais a imagem do Brasil lá fora, afugentando o investidor, deixando dúvida quanto a intenção do ministro da Economia Paulo Guedes) de atrair recursos externos para cá quando a pandemia passar. Esquece. Talvez venham somente para alguns setores, mas não para vários segmentos importantes da economia. Há muita indefinição jurídica", estima Luiz Roberto Monteiro, operador de mesa institucional da Renascença.

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Também deve ficar no foco das atenções o depoimento esperado do empresário Paulo Marinho, suplente do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), à PF do Rio, o que também pode "gerar barulho", diz Campos Neto. Marinho afirma que um delegado da PF teria passado informações para Flávio Bolsonaro sobre uma operação que atingiria o filho do presidente e assessores, investigados no esquema de "rachadinha", que é quando os assessores têm que devolver parte dos salários recebidos.

Apesar de feriado antecipado em São Paulo até sexta-feira, a Bolsa e os bancos funcionam. Na B3, o segmento segue chamando a atenção. Por conta da pandemia, no Congresso, já há pelos menos 336 propostas da categoria como tabelamento de juros do cheque especial e alta de impostos.

O setor aéreo, que tem sofrido as influências negativas da doença no País, ao reduzir a demanda, também deve movimentar os negócios hoje. A Azul informou que elevará a malha diária de voos em junho, mas ainda assim, a média diária de decolagens ficará 80% menor do que no mesmo mês de 2019. A Gol já havia anunciado que expandirá o total de voos diários, mas o numero também ficará 87% aquém do observado antes.

Apesar disso e da informação de que a Fitch Ratings rebaixou as notas de crédito da Azul e da Gol para B-, com perspectiva negativa, as ações das empresas sobem na faixa de 5% na B3, liderando a lista de maiores ganhos.