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    Com agitação sobre juros nos EUA, Bolsa fecha em queda de 2,95%

    Escrito por Da Redação
    Publicado em 25.02.2021, 18:39:00 Editado em 25.02.2021, 18:43:58
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    A recuperação ensaiada pelo Ibovespa nas duas sessões anteriores foi interrompida nesta quinta-feira, 25, véspera de encerramento do mês, em dia no qual a progressão dos rendimentos dos Treasuries adicionou pressão sobre as moedas de emergentes, contribuindo com a incerteza fiscal doméstica para levar o real a R$ 5,5382 na máxima, em dia de duas atuações do BC no câmbio - às 15h37, foi realizado o segundo leilão, no mercado à vista, o que não impediu que a moeda americana fechasse além do limiar de R$ 5,50, a R$ 5,5140 (+1,72%). Assim, o índice da B3 encerrou em queda de 2,95%, aos 112.256,36 pontos, entre mínima de 111.764,30 e máxima de 116.506,22 pontos, pela manhã. O giro foi de R$ 45,5 bilhões e, faltando apenas a sessão de amanhã para o encerramento de fevereiro, o Ibovespa volta a acumular perda no mês, de 2,44%, cedendo 5,21% na semana - em 2021, recua 5,68% até esta quinta-feira.

    "O Ibovespa devolveu os ganhos da manhã, acompanhando movimento de Nova York, que ampliou queda, por conta do aumento dos rendimentos dos títulos americanos, que continua no radar do mercado. O dólar foi além dos R$ 5,50, e mesmo a atuação do BC, à tarde, foi insuficiente para conter este movimento de alta, que reflete também o receio do mercado com relação à questão fiscal. A votação da PEC Emergencial deve ser adiada para a próxima semana, e com provável fatiamento", observa Stefany Oliveira, analista da Toro Investimentos.

    À tarde, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), confirmou que a votação da PEC, prevista para hoje, foi adiada para a próxima quarta-feira. "É o tempo mais curto para amadurecer o debate", disse. Na Câmara, por sua vez, a urgência assegurada à chamada "PEC da Impunidade", que limita as situações em que parlamentares podem ser presos ou afastados do mandato, não contribui para firmar a primeira impressão, de uma inflexão em direção a reformas sob Arthur Lira (PP-AL).

    Em Nova York, as perdas nos principais índices acionários ficaram nesta quinta-feira entre 1,75% (Dow Jones) e 3,52% (Nasdaq). "No último mês, houve progressão nos rendimentos dos Treasuries que os coloca agora em um nível de desconforto para o mercado, acima da marca de 1,40% para o yield da T-note de 10 anos. Desde o fim do ano passado, ocorreu grande rotação, do setor de tecnologia, o mais beneficiado pela pandemia, para as ações da economia real, segmento que tende a responder ao avanço da vacinação. O momento agora é de volatilidade, o que dificulta fazer uma boa leitura - ainda mais complicada, em Nova York, onde o investidor de varejo responde por 20% a 25% do volume", observa Scott Hodgson, gestor de renda variável na Galapagos.

    "O yield de 10 anos nos EUA, no maior nível desde fevereiro do ano passado, eleva o prêmio exigido pelo mercado para a tomada de risco na renda variável e, consequentemente, reduz o potencial de valorização das ações. Com boa parte das bolsas nas máximas, esse aumento da percepção de risco culmina em realização de lucros, com os investidores em busca de melhor nível de preço para ter um risco/retorno adequado", aponta Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora. Ele acrescenta que o Ibovespa permanece com "viés de baixa no curtíssimo prazo", ao voltar a "esbarrar" hoje na faixa de 116 mil pontos que havia sido o "último fundo perdido na segunda", quando o índice cedeu 4,87%, chegando a 111.650,26 pontos na mínima daquela sessão.

    Ante a incerteza quanto a uma correção induzida a partir dos EUA, onde o avanço dos yields corresponde a uma expectativa de inflação maior no país - o que pode tirar o Fed da zona de conforto, em meio à retomada econômica que tende a ser potencializada pelos estímulos monetários e fiscais, bem como pela vacinação -, o saldo do investimento estrangeiro na B3 passou de positivo a negativo no mês, movido também pelas preocupações que prevaleceram desde a última sexta-feira, sobre interferência política na Petrobras.

    Neste contexto menos favorável, as perdas na B3 voltaram a se espalhar nesta quinta-feira por empresas e setores. Na ponta negativa do Ibovespa, destaque para WEG (-8,30%), à frente de Ultrapar (-7,52%) e de CSN (-6,70%). Apenas duas ações do Ibovespa conseguiram se descolar do dia amplamente negativo para auferir modestos ganhos: Multiplan (+0,45%) e Telefônica Brasil (+0,29%). Entre as blue chips, Petrobras ON e PN cederam respectivamente 3,87% e 4,96%, enquanto Vale ON caiu 2,27%. As perdas entre os bancos ficaram entre 2,37% (Bradesco PN) e 3,02% (Santander) e, na siderurgia, entre 3,76% (Gerdau PN) e 6,70% (CSN).

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