Economia

Cautela externa, temor com inflação e fiscal no País empurram Ibovespa para baixo

Da Redação ·

Preocupações locais, queda da maioria das bolsas americanas e espera por uma agenda mais forte ao longo da semana impedem o Ibovespa de dar sequência ao processo de recuperação visto na sexta-feira. Naquela ocasião, subiu 1,73%, fechando aos 112.899,64 pontos.

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O temor de escalada inflacionária no mundo segue no radar dos mercados, em meio a sinais de falta de energia na China, escassez de combustíveis e gás na Europa. No Brasil, tem a crise hídrica, que traz riscos à inflação e à atividade econômica. Em evento em São Paulo, o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, disse que há persistência de inflação e por isso "temos sido mais incisivos nos juros."

Na agenda de indicadores hoje destaque para o índice de encomendas à indústria americana de agosto, que subiu 1,2%, ante previsão de 1,1%.

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De acordo com Carlos Lopes, economista do BV, os temas já conhecidos continuam presentes, como choque de energia elétrica, dificuldade de crescimento, preocupações com atividade e inflação, além da proximidade de retirada de estímulos nos EUA ('tapering'). Neste sentido, é grande expectativa pelo relatório oficial de emprego americano, na sexta-feira, o chamado 'payroll'.

Rodrigo Friedrich, head de RV da Renova Invest, ressalta que o recuo da maioria das bolsas em Nova York (às 10h56 Dow Jones subia 0,13%, enquanto os demais índices cediam) reflete uma realização de lucros, após altas recentes, e certa cautela em relação ao caso Evergrande. Isso porque o tempo para pagamento da divida pela incorporadora gigante da China está expirando e há temores de que isso contamine a economia chinesa, onde já há preocupações quanto a um crescimento menor do que o esperado.

"Há preocupações com a inflação na Europa e nos EUA, enquanto que o crescimento na China tem ficado abaixo do esperado e tem a questão da Evergrande, cujas ações até foram suspensas hoje. O mercado está apreensivo. O índice de risco global aumentou", afirma Friedrich.

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No Brasil, afirma Lopes, do BV, a agenda política tem muito assunto ao mesmo tempo, com destaque para as questões envolvendo o ICMS, os precatórios, se estende ou não o Auxílio Brasil e, se houver extensão, qual será a forma. "Pode ser uma semana um pouco sem rumo nos mercados", estima.

Já Friedrich acrescenta que esse temor global tem se juntado às questões internas e incomodado o investidor local, citando como exemplo a saída de recursos estrangeiros da Bolsa em setembro. No mês, o valor total ficou negativo em R$ 4,840 bilhões.

A expectativa de que a Opep+ mantenha o atual plano de elevar sua oferta de petróleo em 400 mil barris por dia, em novembro, em reunião hoje, deixa os contratos do petróleo em alta superior a 2%, ajudando a elevar os papéis da Petrobras para elevação superior a 1,5%.

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Os mercados monitoram os desdobramentos de uma série de reportagens batizada como "Pandora Papers", apontando que Roberto Campos Neto (presidente do Banco Central) e Paulo Guedes (ministro da Economia) possuem empresas de offshores nas Ilhas Virgens Britânicas durante o exercício do cargo.

Contudo, para a MCM Consultores, os vazamentos não devem ter "maiores implicações", pois Campos Neto e Guedes agiram conforme a legislação vigente. O mesmo entendimento tem Raphael Figueredo, sócio analista da Eleven Financial. Segundo disse em Live matinal, não há nada "estrutural" nessa questão, mas apenas ruído.

De todo modo, ficam atenções especialmente nos papéis do setor financeiro, que ainda absorvem a aprovação da incorporação da XPart (companhia que ficou com a fatia que o Itaú tinha na corretora) pela XP. As ações do Itaú Unibanco subiam 0,29% por volta das 11 horas.

Às 11h04, o Ibovespa cedia 1,40%, aos 111.320,97 pontos, após abertura a 112.899,68 pontos. Na mínima diária marcou 111.171,60 pontos. Já o dólar subia para a faixa de R$ 5,41.

As ações da Vale testavam alta (0,33%), após caírem diante da notícia de que paralisou atividades na mina de OnçaPuma (Ourilândia do Norte, Pará).