Economia

Cautela externa e Copom 'duro' fazem Ibovespa cair a 106 mil pontos após 5 altas

Da Redação ·

Cautela externa e sinais de continuidade de aperto monetário no Brasil, apesar da atividade fraca, podem condicionar o Ibovespa a devolver parte dos ganhos recentes, que vêm de cinco pregões seguidos. Incertezas sobre os efeitos da variante de coronavírus Ômicron deixam investidores na defensiva, depois que o Reino Unido impôs novas restrições à mobilidade na Inglaterra, o que pode levar outros países a fazerem o mesmo. A tendência é que este movimento cauteloso prejudique o desempenho dos papéis relacionados ao turismo na B3, enquanto os de varejo sofram após o tom conservador do Comitê de Política Monetária (Copom) na véspera.

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"É natural realizar um pouco após cinco pregões seguidos de alta", avalia Antonio Carlos Pedrolin, Líder de Mesa de Renda Variável da Blue3. "É importante destacar a curva de juros reagindo ao Copom subiu a Selic ontem", completa.

Nesta quinta-feira, nem mesmo as commodities ajudam a motivar alta do Ibovespa. Em meio às dúvidas sobre demanda, o petróleo cai na faixa de 0,60% no exterior, enquanto o minério de ferro no porto chinês de Qingdao fechou em baixa de 2,55%, cotado a US$ 108,53 a tonelada. Já os futuros cederam 3,2%, após recuperação anterior, puxada pelo apoio de medidas da China, particularmente para seus incorporadores imobiliários. Entretanto, hoje o temor em relação à saúde do setor chinês volta a gerar cautela, diante da dificuldade da Evergrande e da Kaisa de honrarem compromissos financeiros.

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As bolsas europeias e os índices futuros de ações dos Estados Unidos têm quedas moderadas. Neste ambiente e mais a avaliação de um discurso duro do Copom, o Ibovespa cede, após subir 0,50%, retomando os 108 mil pontos (108.095,53 pontos).

"O Ibovespa cai muito em função do comunicado mais duro do Copom do que o mercado esperava, com indicação de mais uma alta de 1,50 ponto porcentual na Selic em fevereiro e outra de 1 ponto em março", avalia Cássio Bambirra, sócio da One Investimentos. "O próprio Copom deve perseguir a inflação mais ferozmente, tentando controlá-la. Isso traz mais credibilidade para o Comitê."

Conforme Pedrolin, ao mesmo tempo em que se pode avaliar que altas da Selic tendem a beneficiar o setor financeiro, também podem ser vistas como desfavoráveis. "Com alta, os bancos conseguem repassar aumento no spread, mas também abrem-se dúvidas: será que com a atividade fraca as pessoas recorrerão ao crédito e será que este crédito será saudável", questiona.

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Às 10h55, o Ibovespa caía 1,29%, na mínima, aos 106.699,92 pontos. Entre os bancos, o recuo máximo era de 1,81% (Unit de Santander), enquanto na seara de ações ligadas a commodities a queda girava também em torno de 1%. Porém, a liderança das maiores perdas eram Braskem PNA (-5,09%), além de ações de empresas mais sensíveis à política monetária, como Lojas Americanas PN (-4,80%).

Em suma, afirma a MCM Consultores, o Banco Central adotou uma mensagem ainda mais dura. "Entretanto, reconhece que a inflação ficará acima da meta em 2022 e, assim, buscará um alongamento do prazo de convergência da inflação para as metas", cita. A consultoria mantém avaliação de que a Selic será elevada a 11,75% ao ano até o final do primeiro trimestre de 2022. Este nível de juros, explica, parece compatível com condições monetárias em 'terreno significativamente contracionista', conforme menciona o Copom no documento divulgado ontem.

Contudo, em vista do cenário atual, a Nova Futura acredita que há uma assimetria significativa de o Copom ter de cortar a taxa Selic na segunda metade de 2022, devido ao cenário ruim de atividade e, principalmente, se a taxa de câmbio ceder, em meio a perspectivas otimistas com a agenda econômica do próximo governo.

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Na seara corporativa, devem ficar no radar do investidor as ações de bancos digitais após o IPO do Nubank em Nova York. O Nubank precificou suas ações a US$ 9,00 na abertura no IPO em Nova York. O papel saiu no topo da faixa indicativa, que ia de US$ 8,00 a US$ 9,00, conforme antecipado pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. A fintech chega ao mercado valendo US$ 41,4 bilhões e é o banco mais valioso da América Latina. "Isso tende a motivar alguns bancos digitais a irem ara um processo de digitalização, vendo valuation agressivo", avalia Bambirra.

Além disso, ficam no centro das atenções os papéis da Petrobras e da Braskem. O processo para seleção dos bancos que participarão da oferta de ações da Braskem em Bolsa foi iniciado. Petrobras caia 1,70% (PN) e 1,48% (ON), enquanto Vale ON perdia 0,79%.