Economia

Bolsas de NY sobem entre 7% e 44% em 2020; petróleo recua mais de 20%

Da Redação ·

Depois de sofrerem quedas históricas em março deste ano, as bolsas de Nova York se recuperaram do choque inicial e fecharam 2020 com ganhos de até 44%, sustentadas por estímulos fiscais e monetários sem precedentes. O início da vacinação contra o coronavírus sinaliza uma luz no fim do túnel, embora o surgimento de uma variante mais transmissível preocupe o mercado. Em Washington, continua o impasse no Senado sobre o aumento do valor dos benefícios do pacote fiscal a cidadãos que ganham até US$ 75 mil por ano.

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Em um pregão com liquidez reduzida, o Dow Jones subiu 0,65%, a 30.606,48 pontos, o S&P 500 avançou 0,64%, a 3.756,07 pontos, e o Nasdaq ganhou 0,14%, a 12.888,28 pontos. No acumulado do ano, os índices acionários acumularam ganhos de 7,3%, 16,3% e 43,6%, respectivamente. Hoje, o Dow Jones e o S&P 500 renovaram as máximas históricas de fechamento.

As bolsas foram impulsionadas ao longo do ano por medidas como as do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que cortou os juros para uma faixa próxima a zero e retomou as compras de ativos do programa de relaxamento quantitativo (QE, na sigla em inglês). O governo americano, por sua vez, aprovou um pacote fiscal de US$ 2 trilhões no começo da pandemia, o maior da história dos EUA, e outro de US$ 900 bilhões nesta semana.

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A disputa no Congresso americano agora é sobre o valor dos pagamentos individuais do pacote. A Câmara dos Representantes aprovou o aumento de US$ 600 para US$ 2 mil, mas o projeto empacou no Senado. Hoje, o líder do Partido Republicano na Casa, Mitch McConnell, bloqueou uma nova tentativa de aprovar a legislação por unanimidade.

"Os investidores estão apostando que os mercados de ações não podem cair porque estão garantidos por um melhor crescimento, mais política fiscal e monetária. O preço de hoje já inclui as boas notícias de amanhã", diz James Athey, gerente de investimentos da Aberdeen Standard Investments.

O petróleo encerrou o pregão em alta, mas os barris do Brent e do WTI registraram perdas superiores a 20% no ano, em meio a uma recuperação lenta da demanda. No auge do impacto da pandemia, o WTI chegou a ser negociado abaixo de US$ 0, devido ao excesso de estoques e à falta de locais para armazenamento da commodity.

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O dólar fechou o ano desvalorizado em relação a moedas de outras economias avançadas, em meio à alta liquidez proporcionada pelo Fed. O índice DXY, que mede a variação da moeda americana ante seis pares, acumulou perda de 7,20% em 2020. Os investidores também passaram a comprar menos dólares após o começo da vacinação da covid-19, já que a redução da incerteza diminui o apelo de ativos de segurança como a divisa dos EUA. A libra e o euro, por sua vez, foram beneficiados pelo fechamento do acordo comercial pós-Brexit entre o Reino Unido e a União Europeia.

No mercado de renda fixa, os juros dos Treasuries recuaram hoje e encerraram o ano em níveis muito inferiores aos do final de 2019. A T-note de 2 anos caiu a 0,117%, de 1,573% no último pregão de 2019; a T-note de 10 anos recuou a 0,917%, de 1,919% em 31 de dezembro do ano passado; e o T-bond de 30 anos registrou baixa a 1,647%, de 2,390% no fechamento de 2019.

"Os participantes do mercado ficarão de olho em qualquer progresso para estímulos adicionais e no resultado do segundo turno da Geórgia na próxima semana", afirmam analistas da LPL Financial, uma corretora americana, em referência às disputas por duas vagas da Geórgia no Senado dos Estados Unidos, que serão decididas na próxima terça-feira, 5. O resultado definirá se os republicanos manterão o controle da Casa ou se os democratas conquistarão maioria parlamentar, o que tornaria mais fácil para o presidente eleito do país, Joe Biden, aprovar suas promessas de campanha no legislativo.