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Bolsa fecha em baixa de 2,43% e atinge menor nível desde 13 de julho

Escrito por Da Redação
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Comportadas pela manhã, as perdas do Ibovespa se acentuaram a partir do meio da tarde, levando o índice abaixo dos 99 mil no ponto inferior do dia, a 98.686,55, e também no fechamento, superando queda também aguda em Nova York, com o Nasdaq mais uma vez à frente, em ajuste superior a 2% na mínima desta quinta-feira. Além das preocupações em torno de nova operação policial na Petrobras, que contribuía desde cedo para ajuste nas ações da empresa, a aversão a risco se intensificou em Nova York, com a percepção de que o impasse entre democratas e republicanos no Congresso dos EUA impedirá novos estímulos fiscais ainda este ano - a proposta de US$ 300 bilhões apresentada pelos republicanos foi rejeitada pelos rivais.

Assim, ponderando questões externas e internas, como o significado da enorme oferta de LTN pelo Tesouro, o Ibovespa fechou em baixa de 2,43%, aos 98.834,59 pontos, no menor nível desde 13 de julho (98.697,06 pontos), saindo de máxima na sessão desta quinta-feira a 101.536,48, com abertura a 101.291,31 pontos.

Após ter oscilado apenas mil pontos, em variação apertada entre a mínima e a máxima na primeira metade dos negócios, o índice devolveu ao fim 2,4 mil pontos ante o fechamento precedente, que havia sido de recuperação frente à terça-feira, em movimentos em certo momento quase simétricos - ao final, uma perda mais aguda, de 2,43%, sucedendo ganho de 1,24% e baixa de 1,18% no início da semana.

No agregado, o índice da B3 cede agora 2,38% na semana e vira para o negativo no mês, em perda de 0,54% em setembro - no ano, cede agora 14,54%. Foi o primeiro fechamento abaixo dos 100 mil neste mês de setembro, após a marca ter sido perdida duas vezes em encerramentos de agosto, nos dias 31 (99.369,15) e 17 (99.595,41), na sequência da reconquista dos seis dígitos, pela primeira vez desde o início de março, no fechamento de 10 de julho, então aos 100.031,83 pontos. O giro financeiro desta quinta ficou em R$ 26,1 bilhões.

"Está faltando dinheiro novo - tem muita gente comprada e o estrangeiro não está vindo. Se não houver um 'driver' diferente, continuaremos neste patamar lateral, entre 98,5 e 103 mil pontos", diz Márcio Gomes, analista da Necton, referindo-se ao fluxo negativo dos estrangeiros no ano, incluídas aí operações de IPO e follow on. "Quando as coisas parecem melhorar um pouco, vem uma notícia negativa, estimulando a aversão a risco e a volatilidade. O momento é de seletividade, de garimpo mesmo, para se procurar uma oportunidade fora do radar. As blue chips, que são as queridinhas da grande massa, estão em correção", acrescenta o analista.

Neste contexto, o Ibovespa começou a acentuar perdas pouco antes das 15h30, renovando desde então mínimas abaixo dos 100 mil pontos, em paralelo ao aprofundamento da queda em Petrobras (PN -2,68% e ON -3,78% no fechamento), assim como em Vale ON (-2,45%) e no setor de bancos (Bradesco PN -3,29%), o de maior peso na composição do índice e que permanece contido por uma perspectiva de redução dos spreads e de aumento em provisões ante inadimplentes. Na ponta negativa do Ibovespa, Localiza caiu 5,38% e Lojas Renner, 4,42%. No lado oposto, Pão de Açúcar subiu 14,80% e BRF, 3,72%.

Pela manhã, a Polícia Federal esteve na sede da Petrobras, no centro do Rio, cumprindo mandados de busca e apreensão no âmbito da Operação Lava Jato. A 74ª fase da Lava Jato, chamada Sovrapprezzo, investiga esquema de prováveis fraudes em operações de câmbio comercial contratadas ao Banco Paulista. A Petrobras informou que apura internamente possíveis ilícitos e que colabora nas investigações.

No quadro mais amplo, "o que também chamou bastante atenção hoje entre os investidores foi a oferta recorde de LTN (pelo Tesouro), que mostra a necessidade de financiamento do governo em vista da precária situação fiscal", observa Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora. Ele acrescenta que, com a queda desta quinta-feira, "acompanhando o movimento de correção das bolsas americanas e das commodities", o Ibovespa "retornou para a base inferior da congestão entre 99 e 103 mil pontos". "Enquanto não romper um desses extremos, o índice ficará travado no curtíssimo prazo", conclui o analista da Clear.

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