Economia

Bolsa fecha em baixa de 1,49%, com cautela no Brasil e exterior

Da Redação ·

A preocupação em torno do ritmo de recuperação da economia global, e as implicações que terá para o PIB brasileiro, em um cenário também marcado por incertezas políticas, colocou o Ibovespa em terreno negativo nesta segunda-feira, após a retomada observada na sessão anterior, que deixou o índice da B3 perto de zerar as perdas da semana passada. Assim, após recuo de 0,30% acumulado no período anterior, o Ibovespa iniciou esta semana em baixa de 1,49%, a 79.064,60 pontos no fechamento, tendo tocado os 78.993,75 pontos, em queda de 1,58% na mínima do dia, saindo de máxima a 80.722,75 pontos.

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O giro financeiro da sessão totalizou R$ 21,4 bilhões e, com o fechamento de hoje, o Ibovespa acumula perda de 1,79% no mês e de 31,63% no ano.

Na reta final da sessão, um protesto de caminhoneiros na Avenida Paulista contra o governo João Doria contribuiu para alimentar a cautela dos investidores domésticos, colocando o Ibovespa nas mínimas do dia, na semana em que os depoimentos de uma série de autoridades policiais e do governo tendem a orientar a investigação da PF sobre a acusação do ex-ministro da Justiça Sergio Moro sobre eventual interferência política do presidente Jair Bolsonaro na instituição. Amanhã cedo, Moro estará presente em Brasília, com procuradores federais, para acompanhar a divulgação do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril em que Bolsonaro o teria ameaçado de demissão.

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Anunciado na semana passada, o prolongamento das medidas de distanciamento social no Estado de São Paulo, acompanhado hoje por medidas mais restritivas na cidade do Rio de Janeiro, reforça as dúvidas quanto ao momento em que a economia brasileira iniciará o processo gradual de normalização, enquanto a curva da covid-19 permanece em elevação, sem sinais de perda de fôlego. A retomada das atividades, ora em curso na Europa e na Ásia, indica que a reabertura pode ser ainda mais complexa do que o fechamento da economia.

"A preocupação de que futuros 'lockdowns', como o (parcial) iniciado no Rio de Janeiro, podem arrefecer ainda mais a economia pesa nos players domésticos - assim como a queda das commodities metálicas deprecia as siderúrgicas, com a China registrando cinco novos casos de coronavírus na província de Hubei, que foi o epicentro da contaminação", diz Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora. "A agenda política segue também pressionando o mercado doméstico, diante de dúvida sobre (se haverá) o veto ao reajuste dos servidores prometido por Bolsonaro ao ministro Guedes, que até agora não foi decidido", acrescenta.

No exterior, o dia foi sem direção única em Wall Street, e negativo na maior parte dos mercados europeus, com o petróleo em queda, resultando também em ajuste nas ações da Petrobras (no fechamento, -1,79% para a PN e -2,66% para a ON). Dúvidas em torno da recuperação da demanda chinesa também colocaram pressão sobre as ações da Vale (-2,29%) e de siderúrgicas (CSN -5,76% e Gerdau PN -3,85%), embora tanto as ações da mineradora como da petrolífera tenham chegado, em certo momento, a limitar as perdas em relação ao observado mais cedo na sessão.

"O momento era de melhora na expectativa de demanda por commodities, mas o reaparecimento de casos de coronavírus, especialmente na China, acaba resultando em reavaliação. A retomada econômica que chegou a parecer em forma de V, está ficando com cara de U e pode vir a assumir outras formas, como W", diz Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos. Mais uma vez, os analistas financeiros ouvidos na pesquisa semanal Focus, do BC, reduziram a expectativa para o PIB do país em 2020, em retração agora a 4,11%, comparada a -3,76% no levantamento anterior. Há quatro semanas, a estimativa era de baixa de 1,96%.