Economia

Bolsa fecha em baixa de 0,72%, à espera do Fed e do Copom

Da Redação ·

O Ibovespa se manteve abaixo dos 114 mil pontos em boa parte da tarde, acompanhando a piora do humor em Nova York, onde S&P 500 e Nasdaq devolveram os ganhos observados mais cedo e chegaram a se unificar ao blue chip Dow Jones em ajuste negativo na sessão, após ambos os índices de Wall Street terem renovado máximas históricas no dia anterior. Nesta terça-feira, 16, véspera de decisão de política monetária nos Estados Unidos, a ponta longa da curva de juros americana voltou a sofrer pressão, especialmente no vencimento de 30 anos. Aqui, a boa leitura sobre a geração de vagas em janeiro, do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), não anula o viés negativo para o mercado de trabalho em meio ao agravamento da pandemia no País.

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Em contexto de fraca atividade e de inflação em alta, à espera de aumento de até 0,50 ponto porcentual na Selic ao fim da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) na quarta-feira, o Ibovespa não encontrou gatilho para emendar ganho na sessão, definida na noite de segunda-feira a substituição do ministro da Saúde, em solução que não parece implicar nova abordagem ao combate à pandemia, ainda fora de controle no Brasil.

Nesta terça, o índice da B3 fechou em baixa de 0,72%, a 114.018,78 pontos, tendo oscilado entre mínima de 113.370,08 pontos e máxima de 114.974,22 pontos, com giro a R$ 28,7 bilhões. Na semana, o Ibovespa cede 0,12%, mas avança 3,62% no mês - no ano, cai 4,20%.

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Para o economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez, o Caged surpreendeu positivamente, em criação líquida de mais de 260 mil empregos de carteira assinada em janeiro, com desligamentos bem abaixo do esperado para o mês. "Essa é mais uma estatística positiva em janeiro que não deverá ser observada com a devida atenção, em função do recrudescimento da pandemia, que rouba a perspectiva de cenários positivos para a atividade", observa em nota.

Com relação à pandemia, o gosto final foi de que o presidente Jair Bolsonaro, sem ouvir o Centrão, optou pela continuidade na mudança, ao decidir trocar o general Eduardo Pazuello pelo médico Marcelo Queiroga, que logo na chegada afirmou que o ministro da Saúde é executor de política de governo, e que dará prosseguimento ao trabalho anterior. Nesta terça-feira, Bolsonaro atingiu recorde de menções negativas no Twitter desde o início do mandato, de acordo com levantamento do Modalmais e da consultoria AP Exata. Nesta terça, o presidente teve 73% de menções negativas (alta de 5 pontos percentuais em relação a segunda-feira).

"Não sei se o próximo ministro será bom ou não, mas ajudaria muito se a burocracia em Brasília abrisse espaço para que o setor privado participasse da compra de vacinas. A resposta continua sendo a mesma: vacina. Enquanto não houver, a Bolsa seguirá volátil", diz Pedro Galdi, analista da Mirae. "Hoje, prevaleceu a expectativa para o início da elevação de juros, com inflação que começa a correr. Nos EUA, ainda não amanhã, mas a mensagem (do Fed) deve vir mais salgada", acrescenta. O foco do mercado estará concentrado nesta quarta-feira na melhora das projeções para a economia dos EUA e na comunicação do Federal Reserve sobre a inclinação da curva de juros.

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Em meio a lento progresso da vacinação fora de países como Estados Unidos, Reino Unido, Israel e Chile, e a colocação em dúvida, em parte da Europa, do imunizante da AstraZeneca, o petróleo fechou nesta terça em baixa pela terceira sessão seguida, posicionando as ações da Petrobras (PN -1,56%, ON -1,50%) entre as perdedoras do dia, enquanto Vale ON, apesar da alta de 1,83% no preço do minério em Qingdao (China), cedeu 0,32% no fechamento desta terça-feira.

Na ponta positiva do Ibovespa, destaque para Usiminas (+8,55%), à frente de Klabin (+4,37%) e Braskem (+4,11%). No lado oposto, CVC caiu 7,46%, Gol, 6,36%, e Azul, 6,19%. Entre os bancos, o desempenho também foi majoritariamente negativo, com perdas de até 3,51% (Santander).