Economia

Aversão a risco mundial contamina Ibovespa; petróleo e Petrobras amenizam

Da Redação ·

A aversão ao risco no mundo, após a Rússia declarar guerra contra a Ucrânia, contamina o Ibovespa de maneira considerável, com retração na faixa de 2%. Algumas bolsas europeias, contudo, caem quase 5% e os índices futuros de ações americanos cedem perto de 3%. O Índice Vix, apelidado de "índice do medo", avança ao maior nível desde setembro de 2020, os títulos americanos cedem e o dólar avança (1,85%) para R$ 5,0978.

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"O cenário guerra ente Rússia e Ucrânia está dado. O que o mercado ficará atento agora é como os líderes mundiais EUA/Europa/Otan reagirão", avalia o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus.

Em reação a este cenário, diante temor de problemas na oferta, o petróleo rompeu hoje a marca psicológica de US$ 100 o barril, e vai além. A cotação sobe mais de 8%, com o do tipo Brent - referência para a Petrobras - em torno de US$ 105 o barril. E é exatamente isso que abranda queda do índice Bovespa hoje, bem como o balanço forte da estatal, informado ontem após o fechamento da B3.

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Petrobras fechou o quarto trimestre do ano passado com lucro de R$ 31,5 bilhões, 47,4% a menos do que há um ano, e 1,2% maior do que o registrado no trimestre anterior. O número veio acima do Prévias Broadcast. No ano de 2021, o lucro foi recorde, de R$ 106,7 bilhões, 1.400% acima do resultado de 2020, motivado em grande parte pela disparada do petróleo Brent. A empresa também propôs a distribuição de dividendos complementares de R$ 2,8610762, a serem pagos em maio.

"Balanço da Petrobras, fluxo de gringo e dólar subindo, que tende a favorecer exportadoras, e aliviam", diz Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença. As ações da estatal avançam entre 1,72% (PN) e 2,29% (PN).

"Até faz sentido essa queda um pouco mais controlada. O canal de transmissão dessa crise para o mundo é por meio das commodities, e na nossa Bolsa a participação de ações ligadas a isso é grande. Até por acaso, saiu o balanço da Petrobras, com resultados melhores do que o esperado, com pagamento de dividendos. Mercado gostou", avalia Rodrigo Santin, CEO da Legend.

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De todo modo, Santini pondera que se a guerra for longa - mais de 15 dias - a paciência do investidor em relação a ações de commodities pode exaurir. "Se aliviar, a retórica é de alta de juros pelo Fed, o que também é ruim", acrescenta.

A tendência é que ações cíclicas tendam a sofrer mais, observa Thomás Giuberti, economista e sócio da Golden Investimentos, diante da possibilidade de redução de oferta de produtos como agrícolas, commodities, com tendência de aumento de estocagem. "Trigo sobe, milho sobe, gás natural na Europa está subindo, assim como o petróleo. Acelera a inflação e a relação entre taxa de juros, e há reprecificação das ações, como vemos hoje", cita.

Azul puxa a correntes das perdas, ao ceder, 7,48%. A companhia encerrou 2021 com prejuízo líquido de R$ 4,7 bilhões, ante resultado negativo de R$ 10,1 bilhões em 2020.

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Apesar de o conflito ser preocupante e assustar em um primeiro momento, Giuberti pondera que, numa segunda fase, o Brasil tende a ser um substituto da Rússia para alocação de capital. "País de commodities, que exporta muito e o fluxo gringo continua entrando forte na Bolsa. É um fluxo que não para. Então, o Brasil pode se beneficiar, sendo um destino para esse capital. A Bolsa brasileira continua forte", analisa.

Internamente, em segundo plano, deve ficar o resultado da Pnad do quarto trimestre e de 2021, bem como os dados de crédito, assim como agenda dos EUA, com crescimento do PIB no quarto trimestre e queda nos pedidos de auxílio-desemprego.

Às 10h56, o Ibovespa cedia 2,01%, aos 109.864,04 pontos, após abrir aos 112.001,04 pontos (-0,01%) e mínima diária aos 109.348,04 pontos (-2,37%).