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Ata do Copom mostra que, sem ajuste fiscal, juros ficam altos até as eleições

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Se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PT esperam cortes de juros para alavancar a economia com a proximidade das eleições de 2026, o recado dado nesta terça-feira, 24, pelo Banco Central vai exatamente na direção contrária. Em uma demonstração de independência em relação ao Poder Executivo, o BC comandado por Gabriel Galípolo reafirmou na ata da última reunião do Copom que a Selic permanecerá em 15% por um período "bastante prolongado" e que "não hesitará" em subir mais os juros se isso for necessário.

A decisão ignora as pressões políticas (ainda muito menores do que as sofridas pelo antecessor de Galípolo, Roberto Campos Neto), e segue fundamentos técnicos. O BC enxerga um cenário desafiador para a inflação em "diversas dimensões". Com esse diagnóstico, seria impensável falar em cortes de juros, como desejam muitos integrantes do Palácio do Planalto e da equipe econômica.

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"O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho", diz o Banco Central, na ata da reunião da semana passada do Copom, que também deu bastante ênfase às incertezas externas, diante das tarifas de Donald Trump e do conflito que se agrava no Oriente Médio.

O BC pediu, mais uma vez, que as políticas fiscal e monetária sejam "harmoniosas", o que significa que, na visão dos diretores do Banco Central, o controle de gastos pelo governo ainda é insuficiente. O entendimento é de que a política fiscal dá "estímulo à demanda agregada" no curto prazo, ou seja, estimula o crescimento, e aumenta os prêmios de risco (leia-se, dólar e juros) pelo avanço das incertezas, no médio prazo.

Apesar disso, os integrantes do Copom viram com bons olhos as discussões sobre cortes tributários e os debates sobre novas reduções de gastos primários, após as idas e vindas empreendidas pelo Ministério da Fazenda, como o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

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"O debate mais recente, com ênfase na dimensão estrutural do orçamento fiscal e na redução ao longo do tempo de gastos tributários, tem potencial de afetar a percepção sobre a sustentabilidade da dívida e de ter impactos sobre o prêmio da curva de juros", diz o BC.

Dinâmica eleitoral

Os cenários projetados pelo mercado, após a decisão da última quarta-feira, agora sugerem que a Selic ficará parada em 15% - maior patamar desde julho de 2006 - até o primeiro trimestre de 2026. Esse é o tempo que o governo federal terá para dar alguma solução para a incerteza fiscal, e ajudar no controle das expectativas.

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Se essa agenda falhar, ainda que o BC comece a cortar juros no início de 2026, os seus efeitos sobre a economia real e a dinâmica eleitoral de outubro tendem a ser praticamente nulos.

Fernanda Guardado, economista-chefe para América Latina no BNP Paribas, concorda que a ata indica que o BC quer um pouco mais de tempo para avaliar se a Selic a 15% será suficiente para a inflação começar a convergir à meta. "Possivelmente no segundo trimestre de 2026, o BC poderá ter maior confiança de como o processo de desinflação está se desenrolando, e isso pode levar a um ciclo de corte de juros', avalia.

Rafaela Vitória, economista-chefe do Banco Inter, também vê o BC cauteloso para iniciar esse movimento neste momento: "Nesse cenário de política monetária significativamente restritiva, a desaceleração do crédito e da atividade irá se intensificar no segundo semestre, enquanto o câmbio favorável pode manter em baixa a inflação de bens industriais e alimentos. Portanto, entendemos que as discussões sobre a redução no nível de restrição monetária podem se iniciar no final de 2025", diz.

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Já os economista do Bradesco veem uma "provável redução" da Selic para 14,5% ainda no fim deste ano ainda. (COLABORARAM CAROLINE ARAGAKI e GUSTAVO NICOLETTA)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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