Economia

Após indefinição, Ibovespa segue NY e sobe com ajuda do câmbio

Da Redação ·

Depois de operar com instabilidade, o Ibovespa firmou-se no campo positivo, testando os 114 mil pontos. O movimento vai em sintonia com a valorização das bolsas americanas após balanços e vendas do varejo nos EUA fortes. A alta do Ibovespa é puxada principalmente por ações do setor metálico e financeiro. "Está seguindo o bom humor externo, depois de ficar indefinida. Porém, vale ressaltar que o Ibovespa está muito atrasado em relação a Nova York", avalia Cássio Bambirra, sócio da One Investimentos.

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Conforme o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus, o Ibovespa e o dólar reagem também às palavras do diretor de Política Monetária do Banco Central, Bruno Serra. Ele avaliou que o desafio fiscal brasileiro é o primeiro fator a ser lembrado entre as variáveis que têm influenciado o mercado de câmbio.

Porém, conforme Serra, o câmbio deve começar a responder ao diferencial de juros com a subida da Selic. "É a junção de dados de lá de fora com o que o Serra está falando, que alivia o dólar também", diz Laatus.

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Às 11h14, o Ibovespa subia 0,92%, aos 114.223,32 pontos, ante máxima diária a 114.475,51 pontos. Já o dólar cedia 1,24%, aR$ 5,4481, ante mínima a 5,4346.

Com isso, o Ibovespa acelera os ganhos da semana para 1,23% no horário citado acima, após cair de 0,06% na anterior. As bolsas internacionais sobem ainda reagindo a balanços robustos e a dados de atividade fortes. As vendas do varejo nos EUA subiram 0,7% em setembro (previsão de -0,2%). Entretanto a volta do sobe-e-desce hoje não pode ser descartada por causa do Além disso, o vencimento de opções sobre ações, além de preocupações internas crescentes.

Apesar da alta, o Ibovespa está distante do comportamento das bolsas americanas, onde, por exemplo, o S&P acumula alta de mais de 3,5% este mês. De acordo com Leonardo Santana, analista da TOP Investimentos, o Ibovespa tem operado descolado do exterior por problemas internos. "Ontem o mercado lá fora ficou animado e deve continuar hoje. Aqui, não sabe para onde ir pois não tem nada novo, só especulação. É o risco fiscal, preocupações com um auxilio emergencial por dois anos, o que deixa o mercado intrigado com esse viés populista do governo", afirma.

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Outra questão que fica no radar é quanto a afirmação do presidente Jair Bolsonaro, feita ontem, de que irá determinar ao ministro de Minas e Energia (MME), Bento Albuquerque, a reversão da bandeira "escassez hídrica", taxa adicional cobrada sobre a conta de luz dos brasileiros, "a partir do mês que vem". Ele argumenta que as chuvas recentes evitaram um colapso do sistema.

Se de um lado a medida tenderia a aliviar as contas de luz e consequentemente a inflação, de outro poderia provocar instabilidade política, o que seria mal visto pelo mercado, que vem acompanhando ruídos do tipo há tempos. Isso porque a tarifa não é determinada pelo MME, e sim pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

A declaração de Bolsonaro "chama a atenção do mercado para uma possível intervenção do chefe do Executivo, no entanto sabe-se que pode ser só mais uma declaração populista visando 2022", avalia relatório da CM Capital.

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De acordo com a Renascença, além disso, os riscos fiscais advindos das movimentações do governo e da classe política para seguir com o auxílio emergencial também é algo que vem provocando incômodo para o mercado", acrescenta a nota da Renascença.

Há relatos de que o governo estuda corrigir o Bolsa Família pela inflação e estender o auxílio emergencial por dois anos, com os R$ 300,00 já incluídos. "A proposta dribla a Lei de Responsabilidade Fiscal, mas precisa da aprovação da PEC dos Precatórios", diz a CM.

Vale ressaltar ainda que o investidor segue desconfiando em relação ao avanço das reformas. Contudo, hoje o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), voltou a mostrar otimismo sobre a votação da PEC dos Precatórios, que, segundo ele, deve ser votada na próxima semana.