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    Apesar de discurso de Bolsonaro, equipe econômica defende vacina contra covid-19

    Escrito por Da Redação
    Publicado em 16.12.2020, 17:34:00 Editado em 16.12.2020, 20:32:39
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    Enquanto o presidente da República, Jair Bolsonaro, adota um discurso dúbio em relação ao uso de vacinas contra a covid-19 no Brasil, a área econômica do governo aposta na imunização como um fator para a recuperação da atividade em 2021. Em evento virtual na tarde desta quarta-feira, 16, o secretário-executivo do Ministério da Economia, Marcelo Pacheco dos Guaranys, defendeu que, com a vacina, a economia vai se recuperar mais rapidamente.

    Segundo ele, é importante que a vacina seja aplicada o quanto antes no Brasil. "Com a vacina a população vai se sentir mais segura e, com isso, a economia irá se recuperar mais rapidamente", afirmou o secretário. "Temos feito de tudo para prover todos os recursos necessários para a vacinação. Todos temos trabalhado dia e noite para fazer isso acontecer."

    Guaranys pontuou que a vacinação é um processo complexo, que exigirá um esforço "muito grande" na área de logística. "Queremos ter a garantia de que isso vai ocorrer bem. Quanto mais rápido isso acontecer, mais rápido a economia irá se recuperar", acrescentou, durante evento de lançamento do Relatório Econômico de 2020 da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) sobre o Brasil.

    Os comentários de Guaranys somam-se aos de outro integrante da área econômica do governo de Jair Bolsonaro. Em evento na manhã da terça-feira, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, defendeu que investir em vacinas é "mais barato" que prorrogar os auxílios governamentais para lidar com os efeitos econômicos do distanciamento social.

    "Há uma disputa por vacinas. Quem terá a vacina primeiro e como a logística será feita (é algo que) muda todos os dias. Estamos concentrados nas vacinas e o mercado também", afirmou Campos Neto, durante participação em evento organizado pela B3 e pelo Eurasia Group.

    A defesa das vacinas por integrantes da área econômica contrasta com o discurso de Bolsonaro. Na terça, Bolsonaro afirmou, em um claro desestímulo ao restante da população, que não vai tomar a vacina. "Eu não posso falar. Como cidadão é uma coisa e como presidente é outra. Mas como eu nunca fugi da verdade, eu digo: eu não vou tomar a vacina. Se alguém acha que a minha vida está em risco, o problema é meu e ponto final", afirmou numa entrevista ao apresentador José Luiz Datena, da TV Band.

    Bolsonaro reafirmou ainda que o vírus é "que nem chuva" e "vai pegar em todo mundo". "E outra coisa, Datena, você tomando a vacina, daqui a dois, três ou quatro anos vai ter que tomar de novo, caso contrário vai poder ser infectado. Temos de respeitar quem não queira tomar. Não pode ser obrigatória", defendeu.

    Apesar dos comentários de Bolsonaro, o governo tem sido pressionado no sentido de viabilizar a vacinação, em meio a uma verdadeira corrida mundial pela imunização. O Reino Unido e os Estados Unidos já começaram a aplicar as doses, ainda que em grupos restritos e com autorização de uso emergencial das vacinas.

    No Brasil, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), desafeto de Bolsonaro, afirma que começará a campanha no seu Estado em 25 de janeiro, ainda que os dados finais da vacina Coronavac sejam desconhecidos.

    Na manhã desta quarta, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, voltou a afirmar que a vacinação contra a covid-19 deve ser iniciada no País em "meados de fevereiro".

    Neste cronograma, ele considerou que os dois laboratórios nacionais que participam do desenvolvimento de vacinas, Fiocruz e Instituto Butantan, devem apresentar ainda em dezembro os dados finais de pesquisa de seus imunizantes e pedir o registro do produto na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

    Recuperação

    Para que a economia se recupere rapidamente em 2021, membros da equipe econômica e observadores externos consideram fundamental vacinar a população. Na tarde desta quarta, a OCDE informou que projeta queda de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2020 e alta de 2,6% em 2021.

    Essas projeções são mais pessimistas que as do mercado financeiro e do próprio governo. A equipe econômica projeta uma retração de 4,5% no PIB deste ano, com uma recuperação de 3,20% em 2021. Já no último Relatório Focus, os analistas de mercado consultados pelo Banco Central esperam por recuo de 4,41% no PIB em 2020 e crescimento de 3,50% em 2021.

    O diretor do Departamento de Economia da OCDE, Álvaro Santos Pereira, avaliou que o desenrolar dos programas de vacinação contra a covid-19 nos próximos meses será fundamental para a recuperação da economia global. "Se não houver vacinação, a recuperação vai ser mais lenta", alertou. "Mas, se as pessoas começarem a ver uma luz no fim do túnel, haverá um retorno da demanda em todos os países. Se as coisas melhorarem com a aplicação da vacina, o próprio Brasil pode ser favorecido", acrescentou.

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