Leia a última edição
--°C | Apucarana
Euro
--
Dólar
--

Economia

publicidade
ECONOMIA

Aceno de Trump à China alivia dólar no mundo, mas fiscal reduz baixa ante real

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Telegram
Siga-nos Seguir no Google News
Grupos do WhatsApp

Receba notícias no seu Whatsapp Participe dos grupos do TNOnline

O dólar à vista perdeu força ao longo da tarde e encerrou a sessão desta quinta-feira, 23, em queda de 0,35%, cotado em R$ 5,9255. Operadores atribuíram a apreciação do real à onda de enfraquecimento da moeda americana no exterior, em especial na comparação com divisas emergentes latino-americanas, após o presidente dos EUA, Donald Trump, adotar um tom conciliador em relação à China.

Ao longo da tarde, o real exibiu o melhor desempenho entre as principais moedas globais, mas acabou perdendo fôlego na última hora de negócios. Teria pesado contra a divisa brasileira o aumento da aversão ao risco com notícia, veiculada pela Bloomberg e confirmada por fontes ao Broadcast, de que o governo avalia fornecer alimentos com custo reduzido por meio de uma rede popular de abastecimento. Com o mercado já fechado, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que não se cogita usar "espaço fiscal" para reduzir preços de alimentos e que tudo não passa de "boataria".

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Associe sua marca ao jornalismo sério e de credibilidade, anuncie no TNOnline.

Pela manhã, a divisa chegou a apresentar alta moderada, em meio a um aparente movimento de ajustes após o recuo de ontem, quando rompeu o piso de R$ 6,00 no fechamento pela primeira vez desde o início de dezembro. Havia também um sentimento de cautela e busca por proteção diante da expectativa pela participação virtual de Trump no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.

Depois de anunciar ontem tarifas de 10% sobre importações da China, bem longe dos 60% prometidos na campanha, Trump adotou em Davos postura menos belicosa. A intenção seria ter um bom relacionamento com os chineses, sem abrir mão de combater o déficit comercial americano. O presidente dos EUA revelou que recebeu ligação do líder chinês, Xi Jinping, no qual trataram, entre outros temas, de possível resolução do conflito entre Rússia e Ucrânia.

"Trump adotou um discurso mais brando em relação à China, sabendo da dependência dos EUA de produtos importados e do impacto de aumento de tarifas sobre a política monetária americana", afirma o superintendente da mesa de derivativos do BS2, Ricardo Chiumento, para quem o Federal Reserve, dependendo das ações de Trump, pode ter espaço para redução adicional da taxa de juros nos EUA. "No caso do real, é positivo o fato de Trump não ter citado o Brasil como alvo da política de aumento de tarifas".

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Após as palavras de Trump, o dólar passou a cair na comparação com outras moedas fortes, como o euro, e aprofundou o ritmo de queda em relação a divisas emergentes. Por aqui, o moeda rompeu o piso psicológico de R$ 5,90 e desceu até mínima a R$ 5,8745, menor valor intradia desde 12 de dezembro (R$ 5,8681). Na reta final dos negócios, com a piora da aversão ao risco que jogou o Ibovespa para as mínimas da sessão e os juros futuros para as máximas, o dólar reduziu bastante o ritmo de queda até fechar no nível de R$ 5,92.

Foi o quarto pregão consecutivo de queda da moeda americana, que já acumula baixa de 2,31% na semana e de 4,12% no mês, o que faz o real ter o melhor desempenho entre as principais divisas globais em janeiro. Boa parte desse movimento está relacionado a ajustes e realização de lucros, dado que o dólar subiu 2,88% em dezembro e encerrou 2024 com ganhos de 27,34%.

O economista Gustavo Rostelato, da Armor Capital, afirma que o recuo recente do dólar reflete, em grande parte, desmonte de posições compradas na moeda americana por investidores estrangeiros, dada a melhora do apetite ao risco no exterior. O gatilho seria o fato de Trump não ter optado por imposição agressiva de tarifas neste início de mandato.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Na B3, a posição comprada em derivativos cambiais (dólar futuro, mini, cupom cambial e swap) de não residentes caiu de quase US$ 80 bilhões no fim de 2024 para cerca de US$ 59 bilhões nos últimos dias.

"A incerteza quanto a um eventual novo governo Trump elevou a aversão ao risco, impulsionando a demanda por dólares. Após a posse do presidente republicano, a propensão ao risco aumentou", afirma, em nota, Rostelato, acrescentando que a sazonalidade também favorece o real, com exportações de grãos no início do ano.

A economista-chefe do Ouribank, Cristiane Quartaroli, afirma que ainda é cedo para dizer que há uma tendência sustentada de queda do dólar. Por ora, o real se beneficiaria de um alívio com a postura de Trump nos primeiros dias de seu segundo mandato.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

"Vimos no mandato anterior de Trump que as opiniões mudavam com muita frequência, o que provoca muita volatilidade. Além da questão externa, estamos em um momento de agenda política esvaziada, com o Congresso ainda em recesso", afirma Quartaroli.

Gostou da matéria? Compartilhe!

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Email

Últimas em Economia

publicidade

Mais lidas no TNOnline

publicidade

Últimas do TNOnline