Economia

À espera do Copom e com fiscal no radar, Ibovespa cai 1,44%, a 121,8 mil pontos

Da Redação ·

Vindo de duas recuperações moderadas após a queda de 3% na sexta, o Ibovespa voltou a terreno negativo nesta quarta-feira de expectativa para a decisão e o tom do comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. As perdas chegaram a ser relativamente mitigadas à tarde pela indicação, por fontes, de que a equipe econômica não trabalha com aumento do Bolsa Família a R$ 400, valor mantido em cima da mesa pelo presidente Jair Bolsonaro em entrevista, mais cedo, a uma rádio do Nordeste, ocasião em que mencionou também a possibilidade de concessão de subsídio para que os beneficiários do programa social adquiram um botijão de gás a cada dois meses.

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Ao final, a incerteza foi o mote para que os investidores devolvessem toda a recuperação observada nesta primeira semana de agosto, limitando os ganhos do ano a 2,34%. Nesta quarta, o Ibovespa fechou em baixa de 1,44%, a 121.801,21 pontos, entre mínima de 121.071,83 e máxima de 123.586,94 na sessão, com giro financeiro a R$ 33,5 bilhões. O dia foi também de acomodação em Wall Street, com Dow Jones e S&P 500 em baixa, após o índice amplo de Nova York ter renovado na terça máxima histórica de fechamento - o Nasdaq subiu nesta quarta 0,13%. Com o ajuste desta quarta-feira, o Ibovespa praticamente retornou ao nível de fechamento da última sexta, quando caiu 3,08%, para 121.800,79 pontos.

Pesquisa da BGC Liquidez com 260 participantes do mercado aponta que 89% (232) esperam elevação da Selic em 1 ponto porcentual na noite desta quarta-feira. Sobre o comunicado do Copom, a referência à normalização até patamar "neutro" será mantida, integralmente, na avaliação de 23% dos ouvidos, enquanto 53% consideram que o termo "neutro" será excluído do texto, embora sem que o comitê deixe explícito quanto a ser restritivo com a política monetária. Para outros 24%, o termo será tirado do comunicado e o Copom adotará comunicação explícita quanto à política monetária, restritiva.

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O levantamento da BGC indica que o comunicado desta noite deixará também explícito compromisso com novo aumento na Selic, da mesma magnitude, para a reunião seguinte do Copom, em setembro, conforme a opinião de 60% dos ouvidos. Outros 35% consideram que não haverá compromisso explícito, mas indicação de continuidade de postura firme, enquanto, para 5%, a porta ficará completamente aberta, sem compromisso algum. A pesquisa ouviu traders e gestores (em conjunto, 68% dos participantes), economistas e estrategistas (25% do total), entre outros participantes, com predominância de profissionais de Fundos (54%) e Tesouraria (32%).

Como pano de fundo para a decisão do Copom, de forma geral os investidores continuaram a ponderar nesta quarta-feira a retomada de preocupações sobre o fiscal, sobre a possibilidade de parcelamento de precatórios para abrir espaço orçamentário a um Bolsa Família maior, e o formato final da proposta de reforma de impostos. Nesta tarde, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), afirmou que o Fundo para bancar precatórios e programa social não precisa estar no teto, e que a PEC dos Precatórios não constitui "calote" - segundo ele, o parcelamento deve obedecer a "critérios".

"O ambiente político começa a incomodar o mercado, com o viés mais populista em gastos, pensando já na eleição de 2022. A situação política, que não estava tanto no radar, começa a ser colocada nos preços (dos ativos), passando a preocupar o mercado, que nota muita fragilidade no governo", diz Rodrigo Friedrich, sócio e head de renda variável da Renova Invest, que ainda vê um fim de 2021 positivo, com retomada econômica mais forte do que em anos anteriores para o segundo semestre, em função do progresso da vacinação e a suspensão do distanciamento social.

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No curto prazo, "a situação é complicada, com o presidente (Bolsonaro) buscando a todo custo provar fraude na eleição e o Paulo Guedes (ministro da Economia) falando agora em pagar (precatórios) quando puder", acrescenta Friedrich. Ele considera que o câmbio terá acomodação mais visível apenas se o Copom surpreender e elevar a Selic além do consenso de 1 ponto porcentual.

Entre os setores, o desempenho negativo das ações de bancos, segmento de maior peso no Ibovespa, também contribuiu para segurar o índice na sessão. "A queda (nas ações) do Bradesco (PN -4,36%, ON -3,53%) acabou puxando as empresas do setor financeiro e penalizando o índice, em vista do lucro abaixo do esperado (para o banco), por conta do fraco resultado do lado de seguros - o desempenho foi impactado pela elevação do índice de sinistralidade, afetado pela frequência dos eventos relacionados à Covid", observa Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora.

Dia também negativo para Petrobras (PN -2,12%, ON -3,61%) com mais uma forte correção negativa nos preços do petróleo, recolocando o Brent a US$ 70 e o WTI a US$ 67 por barril, em reação à retomada do Covid na Ásia, especialmente na China e no Japão. Na ponta positiva do Ibovespa, Usiminas PNA (+4,60%), Klabin (+2,04%) e Natura (+1,25%). No lado oposto do índice de referência da B3, Bradesco PN (-4,36%, na mínima do dia no fechamento), Cosan (-4,06%) e Petrobras ON (-3,61%).