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Governos precisam de pacto para globalização, diz especialista

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RAQUEL LANDIM

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Se os governos não conseguirem encontrar um novo pacto para a globalização, os populistas vão continuar vencendo as eleições em diversos países do mundo.

A avaliação é Ngaire Woods, reitora da Escola de Governo Blavatnik da Universidade de Oxford, que mediou um debate sobre o avanço da globalização no Fórum Econômico Mundial, que acontece em São Paulo.

"Moro em um país (Reino Unido) que votou pelo Brexit. Se as pessoas não estiverem satisfeitas com o status quo, elas vão votar contra ele", disse Woods.

Para os especialistas reunidos no debate, um novo pacto para a globalização precisa incluir uma revolução na educação e uma atualização de diversos sistemas de governo, como o tributário.

Um dos exemplos citados foi uma possível taxação das empresas de tecnologia, para que os governos tenham verba disponível para investir na capacitação de trabalhadores, em saúde e em aposentadorias.

De acordo com Brian Gallagher, presidente da organização não governamental United Way Worldwide, a questão dos "esquecidos pela globalização" é gravíssima, atinge diversos países e vai se prolongar pelos próximos 60 anos. 

"Na China, temos milhões de crianças que foram abandonadas no campo por seus pais que migraram para as cidades. O governo chinês teme que essas crianças provoquem um imenso problema social quando crescerem", disse.

Roberto Azevêdo, diretor geral da Organização Mundial de Comércio, disse os avanços tecnológicos são responsáveis por 80% dos empregos perdidos nas economias desenvolvidas, superando questões da globalização, como a chegada de imigrantes ou a transferências de indústrias para outros países. 

"Temos que investir em capacitação. Alguns estudos mostram que dois terços das crianças vão trabalhar com funções que ainda nem existem. Se décadas atrás o mais importante era aprender uma nova língua, hoje é estudar programação para entender a nova lógica", afirmou.

Para Jorge Faurie, ministro de Relações Exteriores da Argentina, os governos e as organizações internacionais, criadas no pós segunda guerra mundial, não estão preparados para lidar com o avanço da tecnologia e da globalização, mas terão que aprender rápido. "A primeira coisa que temos que ensinar para a população é que não há maneiras de parar isso".

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