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National Geographic diz que fez cobertura racista por décadas

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FILIPE OLIVEIRA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em artigo de sua edição de abril, integralmente dedicada a discutir questões raciais, a revista americana National Geographic avaliou seu próprio passado e concluiu ter feito uma cobertura racista por décadas.

Entre os erros que o texto identificou, assinado pela editora-executiva, Susan Goldberg, estão ter deixado de fora de suas páginas negros que moravam nos EUA até os anos 1970 e ignorado o apartheid na África do Sul em reportagem de 1962 sobre o país.

Ela também apontou que foram usados clichês para descrever nativos de partes variadas do mundo, muitas vezes nus e acompanhados de adjetivos como nobres selvagens ou felizes caçadores. Essa distinção estereotipada entre povos civilizados e exóticos não civiliza- dos apareceu, por vezes, em imagens em que nativos se deslumbravam com artefatos tecnológicos.

Mais do que isso, Goldberg afirmou que publicações encontradas no arquivo da revista são de deixar leitores de hoje sem fala. Por exemplo, identificação de foto de dois aborígenes australianos em 1960 dizia: "Esses selvagens estão entre os seres humanos de menor inteligência".

Goldberg escreveu que, quando a Redação decidiu tratar de questões raciais nas páginas da revista, percebeu ser necessário avaliar o próprio racismo antes de apontar os erros dos outros.

A pesquisa foi feita por John Edwin Mason, professor da Universidade da Virgínia e especialista em história da África e da fotografia.

Ele disse que, ao contrário de outras publicações, a National Geographic pouco fez para incentivar seus leitores a ir além de estereótipos sobre outros povos arraigados na cultura branca americana.

MUDANÇAS

A revista aponta as transformações pelas quais passou ao longo do tempo e que permitiram uma cobertura melhor de temas raciais.

Em texto de 2015, por exemplo, convidou haitianos para documentar a realidade de seu país, algo que seria impensável em décadas anteriores, diz Mason.

Para o especialista, apesar das ressalvas feitas ao passado da revista, especialmente até os anos 1960, a publicação teve grande importância ao mostrar para americanos locais distantes que eles não conheceriam de outro modo. "É possível que uma revista abra os olhos dos leitores ao mesmo tempo que os fecha."

Goldberg afirma querer que os editores da revista no futuro possam olhar para trás e ter orgulho da cobertura feita pela publicação e também pelo grupo diverso de editores, repórteres e fotógrafos responsáveis pelo trabalho. Ela é a primeira mulher a dirigir a Redação em 130 anos.

A edição de abril marca o aniversário de 50 anos do assassinato de Martin Luther King Junior. Goldberg diz que outras discussões a respeito da questão racial aparecerão na revista durante o ano.

A National Geographic pertence à organização sem fins lucrativos National Geographic Societye e ao estúdio 21st Century Fox.

Em dezembro, a Fox foi comprada pela Disney em transação avaliada em US$ 66,1 bilhões.

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