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Temer não exclui recorrer à OMC de sobretaxa do aço, diz diretor-geral

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GUSTAVO URIBE

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O diretor-geral da OMC (Organização Mundial do Comércio), Roberto Azevêdo, afirmou nesta segunda-feira (12) que o presidente Michel Temer não descarta recorrer à entidade internacional para contornar a sobretaxa imposta pelos Estados Unidos sobre a importação do aço.

Segundo ele, o governo brasileiro está neste momento avaliando alternativas e buscando um entendimento com a administração de Donald Trump, mas não exclui recorrer ao mecanismo de solução de controvérsias caso os esforços não tenham resultado.

"Pelo que pude depreender, o governo brasileiro está em contato com outros países afetados pelas medida para estudar alternativas que serão mais adequadas. Não sei se há uma determinação neste momento de recorrer ao mecanismo de solução de controvérsias. Eu entendo que o governo brasileiro não exclui essa possibilidade, mas estuda outras alternativas que estão sobre a mesa", afirmou.

Ele disse esperar que os países afetados pela iniciativa cheguem a um acordo com os Estados Unidos para evitar uma disputa comercial, excluindo o que ele chamou de uma "situação de quiprocó", na qual cria-se uma sequência de medidas e contramedidas.

"Essa escalada é difícil de reverter. Uma vez que você entra por esse caminho de retaliações recíprocas, você sabe quando e como começa, mas não sabe quando ou como esse processo termina", afirmou.

Para ele, o processo de ação e reação leva a guerras comerciais que não são do interesse de ninguém e onde não há vencedores, apenas perdedores. Perguntado, disse que nenhum país afetado recorreu até o momento contra a sobretaxa.

"A ação unilateral tende a provocar reação de outras partes. E o processo de ação e reação leva às vezes a guerras comerciais que não são do interesse de ninguém e onde só há perdedores, não há vencedores", afirmou.

O diretor-geral teve uma audiência nesta segunda-feira (12) com o presidente, no Palácio do Planalto. Com a medida de Trump, as tarifas, que variam de acordo com o tipo de produto, passarão de até 0,9% para 25% sobre o aço e de 2% para 10% sobre o alumínio. ÓRGÃO ESVAZIADO

Azevêdo afirmou ainda, após reunião com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que o órgão responsável pela solução de controvérsias da OMC passa por uma situação delicada e preocupante.

Esse tribunal, que funciona como uma espécie de última instância dentro da OMC, vem sendo esvaziado pelos EUA, que estão vetando a indicação de novos juízes para substituírem árbitros que deixaram a entidade.

"A OMC não está enfraquecida, pelo contrário. Com relação ao órgão de solução de controvérsias, a situação é muito delicada, muito preocupante. O mecanismo não parou, continuamos atuando, ainda. Mas se essa situação perdurar muito tempo, o risco de paralisação é grande", disse.

O diretor disse ainda que tudo indica para a continuidade da recuperação da economia brasileira. "Nossas estimativas estão revendo os números do Brasil para cima", afirmou.

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