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Valor de mercado das siderúrgicas cai R$ 4,3 bi

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DANIELLE BRANT

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A confirmação de que os Estados Unidos vão impor tarifas ao aço e ao alumínio fez as siderúrgicas brasileiras perderem R$ 1,8 bilhão em valor de mercado só nesta quinta-feira (8). Desde 1º de março, quando o americano Donald Trump anunciou a medida, a queda acumulada é de R$ 4,3 bilhões.

A sessão já começou sob a sombra de que Trump faria, no fim da tarde, o anúncio formal da proposta. As ações de siderúrgicas refletiram a preocupação dos investidores e operaram em baixa durante todo o pregão, intensificando a queda após a oficialização da medida.

O Brasil é o segundo maior exportador de aço para os Estados Unidos.

Com a confirmação, a CSN despencou 5,08%. A Gerdau recuou 4,18% e a Usiminas perdeu 2,13%. A queda pressionou a Bolsa brasileira, que terminou em baixa de 0,58%, para 84.984 pontos. O dólar comercial terminou o dia em alta de 0,64%, para R$ 3,265.

Desde 1º de março, a CSN lidera as desvalorizações, com queda de 15,4%. A Usiminas tem baixa de 10,5% no período, e a Metalúrgica Gerdau recua 3,43%. A Gerdau é a que sofre menos na Bolsa: cai 3,55%.

Para Adeodato Netto, estrategista-chefe da Eleven Financial, é justamente a Gerdau a mais afetada pela decisão. "O mercado americano representa 40% da receita líquida e 18% do Ebitda [capacidade de geração de caixa] da Gerdau", diz.

"Enquanto a primeira reação parece negativa, em nossa leitura pode haver acréscimo de curto prazo nos preços praticados nos EUA, ajudando a Gerdau a acelerar seus resultados, principalmente quando observamos que o mercado americano tem menores margens para a companhia e a capacidade ociosa é muito alta", afirma.

Alvaro Bandeira, economista-chefe da Modalmais, tem avaliação parecida. "Prevalece o estresse com a decisão de Trump de impor tarifas de importação para produtos de aço e alumínio, e principalmente no fato de redundar em guerra comercial", complementa.

MINÉRIO

As ações de mineradoras também sofrem indiretamente com o aumento de protecionismo americano. A Vale, que tem quase 10% de peso no Ibovespa, fechou com forte desvalorização de 3,24%. Foi a oitava queda seguida dos papéis. Desde 1º de março, a empresa já perdeu quase R$ 19 bilhões em valor de mercado.

A sequência negativa ocorre em linha com a queda dos preços do minério de ferro, causada pela fraca demanda da China.

"A queda recente nas ações da Vale vem de uma inversão da bonança recente. Enquanto o minério corrige um pouco seus preços, pressionando as cotações, a perspectiva de saída dos fundos de pensão da mineradora aumenta a expectativa com o excesso de oferta de ações [vendidas pelos fundos] para os compradores", afirma Adeodato Netto, da Eleven.

Mas há um efeito indireto do anúncio de Trump, em meio à expectativa com uma potencial retaliação da China à medida, diante do cenário de guerra comercial iniciado pelo americano.

"Temos visto as mineradoras bastante afetadas. As ações da Anglo American caíram bastante [-2,93%], a Rio Tinto também [-1,25%]. O setor é bastante sensível aos anúncios de Trump", diz Ignacio Crespo, economista da Guide Investimentos.

Para ele, a imposição de tarifas ao aço e alumínio é só o começo. "Ele parte para essa agenda de comércio internacional. A saída do [assessor econômico] Gary Cohn abre espaço para que medidas mais protecionistas sejam cogitadas, no que vai continuar gerando volatilidade", diz.

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