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Reunião com Abilio na BRF tem clima constrangedor

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IGOR GIELOW

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Enquanto a BRF era engolfada pela nova fase da Operação Carne Fraca, seu conselho de administração marcava para o dia 26 de abril a assembleia que irá definir o destino do atual colegiado presidido por Abilio Diniz.

A reunião, que havia sido marcada a pedido dos dois maiores acionistas da BRF, os fundos de pensão estatais Petros e Previ (22% do controle da empresa), transcorreu de forma constrangedora, segundo relatos.

Abilio não colocou o tema Carne Fraca em pauta, sob o argumento de que não havia ainda informações disponíveis sobre a operação ?eram quase 10h, e a operação havia começado às 6h.

Já se sabia, contudo, que Pedro Faria, ex-presidente da empresa e então aliado de Abilio, havia sido preso.

O ex-braço direito do empresário na empresa, José Roberto Pernomian Rodrigues, havia sido levado para depor ?assim como na operação de 2017, ano em que ele saiu da BRF por uma condenação em um outro processo por fraude.

Abilio e os nove conselheiros debateram a chapa indicada no sábado (3) pelos fundos para substituir o atual colegiado, que o empresário lidera desde 2013. Ela inclui como substituto de Abilio um desafeto seu, o ex-presidente do Pão de Açúcar Augusto Marques da Cruz.

As questões administrativas e o prejuízo recorde de R$ 1,1 bilhão em 2017 foram tratados pelo presidente do conselho como um problema de Faria, de quem se afastou a partir do anúncio da saída do gestor do cargo, em agosto passado.

MAIS TEMPO

Na prática, Abilio ganhou tempo para costurar ou uma reação ou um compromisso para manter representação num novo conselho. Ele tem 4% das ações da empresa.

Na primeira fase da Carne Fraca, em março de 2017, a exposição da BRF foi determinante para que Abilio, então alvo de críticas, ficasse no cargo. O argumento foi que uma troca ampliaria a turbulência.

Só que agora a posição do empresário é mais questionada. À noite, tanto Petros quanto Previ divulgaram notas nas quais pediam informações à BRF sobre as práticas de governança que são objeto de exame da Polícia Federal -um sinal sobre a linha de argumentação a seguir.

Abilio não fez comentários. Na semana passada, criticara os fundos pela condução pública do caso.

Sua gestão à frente do conselho, com Faria como presidente-executivo entre 2015 e o fim de 2017, registrou um período de sucesso em termos de valorização: as ações chegaram a bater em R$ 70, só para chegar a esta segunda (5) aos níveis de 2010 (R$ 25).

Faria é da Tarpon Investimentos, grande acionista (7,26%). As agruras da BRF se acentuaram em 2017, com ex-membros do conselho envolvidos em denúncias, a Operação Carne Fraca e a sucessão na empresa. O atual presidente, José Drummond, é homem de Abilio.

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