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BRF perde R$ 5 bilhões em valor de mercado após nova fase da Carne Fraca

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DANIELLE BRANT

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A BRF perdeu R$ 5 bilhões em valor de mercado nesta segunda-feira (5) depois que a Polícia Federal deflagrou nova fase da Operação Carne Fraca e prendeu Pedro de Andrade Faria, ex-presidente da empresa, a maior processadora de alimentos do país.

Os papéis recuaram 19,74%, para R$ 24,75. Isso equivale a uma perda de R$ 4,95 bilhões em valor de mercado ante sexta-feira. A Bolsa brasileira fechou em leve alta de 0,30%, para 86.022 pontos.

Por contágio, as ações da JBS recuaram 5%, para R$ 9,50. A Marfrig teve queda de 0,95%, para R$ 6,26. E a Minerva, fora do Ibovespa, caiu 0,43%, para R$ 9,30. Somadas, todas as empresas perderam R$ 6,4 bilhões em valor de mercado nesta sessão.

A forte queda nas ações da BRF ocorreu após Faria ser preso pela PF em investigação que apura que setores de análises do grupo e cinco laboratórios credenciados junto ao Ministério da Agricultura fraudavam resultados de exames em amostras do processo industrial, informando dados fictícios ao Serviço de Inspeção Federal (SIF/Mapa).

Segundo a Polícia Federal, o ex-presidente teria tentado acobertar as fraudes, reveladas na petição inicial da ação trabalhista de uma ex-funcionária do grupo. As fraudes tinham como finalidade burlar o Serviço de Inspeção Federal, impedindo que o Ministério da Agricultura fiscalizasse com eficácia a qualidade do processo industrial da BRF. Em comunicado ao mercado, a BRF disse que está se inteirando dos detalhes da operação e está colaborando com as investigações para esclarecimento dos fatos.

Além da Carne Fraca, a BRF está mergulhada em uma crise provocada pelo processo de reestruturação societária. Nesta segunda, o Conselho de Administração da empresa se reuniu, não discutiu a prisão do ex-presidente e marcou novo encontro para decidir sobre a troca no órgão. A tendência é de que Abilio Diniz seja removido da presidência do colegiado e substituído por Augusto Marques da Cruz Filho, um desafeto do empresário.

A empresa registrou prejuízo líquido de R$ 784 milhões no quarto trimestre, uma piora em relação ao resultado negativo de R$ 442 milhões registrado um ano antes.

"A BRF é uma empresa que está passando por uma reestruturação e que tentou um movimento de corte de custo agressivo e foco na marca que não deu certo. Toda mudança de gestão que foi tentada não funcionou", diz Phillip Soares, analista da Ativa Investimentos.

"Houve uma tentativa de produtos grandes decolarem que não deu a rentabilidade esperada. Além disso, o corte de custos fragilizou a base operacional da empresa. Foram demitidas muitas pessoas, incluindo algumas consideradas importantes em termos operacionais", complementa.

Para Carlos Soares, analista da Magliano Invest, a queda também refletiu o temor de que ocorra o mesmo que aconteceu no ano passado, na primeira fase da Carne Fraca.

Muitos países, em resposta às investigações que envolveram suspeita de corrupção, crime contra a ordem econômica e falsificação de produtos alimentícios, estabeleceram embargo à importação da carne brasileira.

"Há um componente de incerteza com a consequência das denúncias em relação a possíveis embargos. Isso penaliza o setor como um todo. O mercado tenta precificar esse impacto nas empresas, buscando saber quais serão os embargos, quanto terá de impacto nas vendas, quais serão os países a estabelecerem embargo", ressalta.

AÇÕES

Apesar da pressão das processadoras de alimentos, o Ibovespa conseguiu fechar no azul, com ajuda de Petrobras e de bancos.

Das 64 ações do índice, 31 subiram, 31 caíram e duas fecharam estáveis.

As ações da Petrobras lideraram as altas, com a recuperação dos preços do petróleo. Os papéis preferenciais da estatal subiram 2,84%, para R$ 22,12. As ações ordinárias avançaram 2,85%, para R$ 23,84. Ambas lideraram as altas do Ibovespa nesta sessão.

A Itausa subiu 2,68%, e a Kroton teve valorização de 2,48%.

Além de BRF e JBS, a Smiles também liderou as quedas do Ibovespa, com recuo de 3,58%. A Magazine Luiza caiu 2,63%, e a Natura se desvalorizou 2,28%.

A mineradora Vale teve leve queda de 0,11%, para R$ 43,70.

As siderúrgicas tiveram desempenho misto. A Gerdau subiu 1,01%, enquanto a Metalúrgica Gerdau avançou 1,41%. Por outro lado, a CSN caiu 1,41%, e a Usiminas teve baixa de 1,76%.

"É um setor volátil. Agora, está sendo separado o joio do trigo. Tem a Gerdau, uma companhia naturalmente com fundamento melhor, mais resiliente. A CSN é mais frágil, e a Usiminas pode se tornar consistente se, de fato, as perspectivas de solução de conflito entre os sócios forem materializadas", avalia Adeodato Netto, estrategista da Eleven Financial.

No setor bancário, o Itaú Unibanco subiu 1,42%. As ações preferenciais do Bradesco avançaram 0,66%, e as ordinárias se valorizaram 1,36%. O Banco do Brasil ganhou 0,83%, e as units —conjunto de ações— do Santander Brasil tiveram alta de 0,55%.

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