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Trump coloca Nafta na mesa de negociações sobre tarifas

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ESTELITA HASS CARAZZAI

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Depois de anunciar tarifas sobre o aço e o alumínio exportados aos Estados Unidos e dar início a uma ameaça de guerra comercial global, o presidente americano Donald Trump afirmou nesta segunda-feira (5) que só reconsideraria retirar a medida diante de um novo acordo comercial entre as Américas, o Nafta.

Desde que assumiu, o presidente está renegociando o acordo, que envolve EUA, México e Canadá -dois dos principais parceiros comerciais do país. Para ele, o Nafta tem sido um desastre para os americanos.

"Nós não iremos voltar atrás", afirmou Trump, em entrevista à imprensa. "Nesse momento, estamos 100% [comprometidos com a medida], mas isso pode ser uma parte do Nafta."

As declarações marcam uma nova estratégia do presidente americano: ligar as tarifas anunciadas na quinta (1º), cujos detalhes devem ser divulgados nesta semana, com a renegociação de acordos comerciais mais favoráveis aos EUA, o que coloca mais pressão sobre os parceiros comerciais do país.

O Canadá é o maior exportador de aço aos EUA, seguido pelo Brasil, que acompanha os desdobramentos da medida e ainda espera negociar uma exceção com os EUA. Já o México aparece em quarto lugar.

Os dois países afirmaram que irão retaliar eventuais tarifas dos EUA, caso elas sejam confirmadas, e reagir para proteger seus interesses e trabalhadores, segundo afirmou a ministra canadense Chrystia Freeland.

Mais cedo, nas redes sociais, Trump criticou fortemente o Canadá, que, segundo ele, precisa "tratar muito melhor nossos produtores rurais", e o México, que deve "fazer muito mais para parar o fluxo de drogas" rumo aos EUA.

"Eles não têm feito o que precisa ser feito. Para proteger nosso país, precisamos proteger o aço americano. América em primeiro lugar!", afirmou o republicano, nas redes sociais.

CONTEXTO

Trump, que foi eleito com a promessa de colocar a "América em primeiro lugar", tem adotado medidas protecionistas para diminuir os déficits comerciais do país -aos quais ele atribui a perda de empregos e investimentos. 

Segundo ele, as tarifas sobre o aço e o alumínio vão proteger a indústria americana, ao privilegiar matéria-prima local, mas críticos afirmam que a medida irá apenas encarecer o custo de produção no país e ameaçar empregos. Parte da indústria americana se opõe à proposta e diz que não há matéria-prima suficiente para dar conta da demanda.

Depois do anúncio da semana passada, alguns países ameaçaram retaliar os EUA, impondo alíquotas a produtos como motos Harley Davidson, calças jeans da Levi's e uísques do tipo Bourbon, como afirmou o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

Nesta segunda (5), Trump declarou não achar que haverá uma guerra comercial mundial. O governo americano deve anunciar os detalhes sobre as tarifas (a que países devem ser impostas e por quanto tempo) ao longo desta semana.

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