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Adesão à OCDE pode baixar juros da dívida brasileira, diz BC

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MARIANA CARNEIRO

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A adesão do Brasil à OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) poderia ajudar a baixar o custo da dívida pública, afirmou nesta quarta-feira (28) o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn.

Durante lançamento do relatório da OCDE sobre o Brasil, em Brasília, Goldfajn e os ministros Henrique Meirelles (Fazenda) e Dyogo Oliveira (Planejamento) defenderam a entrada do Brasil no grupo que reúne 35 países, entre os quais os mais ricos do mundo.

O Brasil apresentou pedido para ingressar como membro pleno da OCDE no ano passado. O país já participa, porém, de inúmeras discussões da entidade, que tem como objetivo o intercâmbio de políticas públicas e de experiências internacionais.

A adesão do Brasil à OCDE, disse Goldfajn, aumentaria a confiança internacional no país, o que atrairia mais negócios, “repercutindo positivamente no crescimento e, em especial, no custo do financiamento da dívida soberana, beneficiando a economia brasileira”.

Meirelles afirmou que o Brasil tem a ganhar com a experiência dos demais sócios e afastou o risco de perda de soberania do país nas escolhas sobre quais políticas adotar.

"Quando começamos a discutir a entrada na OCDE como membro efetivo, tivemos algumas discussões fundamentais no governo. Devemos aderir? Devemos nos comprometer com práticas de longo prazo? Como se coloca a soberania? Nossa conclusão é que somos soberanos para definir as melhores práticas e somos soberanos para participar de acordos que coincidam com as melhores práticas que estão sendo adotadas pelo Brasil." “Quanto mais possamos absorver daquilo que está funcionando no resto do mundo, melhor para o Brasil. É importante que não se invente a roda todos os dias”, disse.

O Brasil participa hoje de 36 instrumentos na OCDE e solicitou a participação em outros 65 fóruns de discussão, entre os quais regras para controle de entrada e saída de capitais. Um processo de adesão plena, segundo o secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Marcello Estevão, pode levar três anos. Além do Brasil, outros cinco países postulam entrada no grupo.

Os ministros e o presidente do BC disseram que muitas recomendações de política citadas pela OCDE para o Brasil já estão em curso, como o teto de gastos e mudanças microeconômicas. No entanto, a reforma da Previdência, abandonada no curto prazo, é considerada pela OCDE como prioritária.

O economista da entidade, Álvaro Santos Pereira, afirmou que "o timing de reformas muitas vezes tem que ser ajustado à realidade", mas enfatizou a importância da iniciativa.

"É o mais importante para o Brasil, se não for agora, será mais tarde", disse. "Não estou preocupado, não é muito surpreendente reveses temporários, o importante é que o ímpeto reformista continue."

O secretário-geral da OCDE, Angel Gurría, enfatizou que o Brasil precisa seguir no caminho de reformas para crescer mais. “O processo de reformas é um estado de ânimo, não um momento. É um processo constante”, disse.

Segundo ele, o desafio de elevar a produtividade não é problema exclusivo do Brasil. O crescimento mundial voltou, após a grande crise de 2008/2009, mas em patamares inferiores ao do período anterior. “Isso demonstra a dificuldade dos desafios que todas as economias têm que de confrontar”, afirmou.

Entretanto, frisou que o Brasil tem uma das mais baixas taxas de investimento do mundo, o que limita o crescimento no futuro.

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