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Fundos pedem destituição do Conselho de Administração da BRF

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IGOR GIELOW

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os fundos de pensão da Petrobras e do Banco do Brasil enviaram carta ao Conselho de Administração da BRF, líder do mercado de processamento de alimentos no país, pedindo realização de assembleia extraordinária para avaliar a destituição de todos os seus membros —a começar por Abilio Diniz, presidente do órgão desde 2013. A correspondência foi protocolada neste sábado (24) e a BRF divulgou fato relevante ao mercado.

O movimento é decorrente da aguda crise financeira da empresa, que registrou prejuízo de R$ 1,1 bilhão em 2017. Os fundos —Petros (Petrobras) e Previ (BB)— detêm mais de 20% do capital da empresa, e agora estão articulando votação em conjunto com fundos estrangeiros insatisfeitos com os resultados, como o britânico Aberdeen (5%). Com isso, a pressão para saída de Abilio e do fundo Tarpon (donos de cerca de 8% da BRF) cresce.

Abilio, que ainda não comentou o caso, tem oito dias para responder à convocação. Segundo a legislação, se não o fizer, os acionistas podem realizar a assembleia à sua revelia. Segundo se comenta na empresa, a relação dele com o Tarpon, seu aliado durante quase todo o período à frente da BRF, está fortemente estremecida.

Em nota, a Petros disse que pediu a convocação de assembleia para deliberar sobre a destituição de todos seus membros e também sobre a aprovação do número de dez membros para compor o conselho. O fundo de pensão também pede a eleição de novos membros para ocuparem os cargos, incluindo os de presidente e de vice-presidente do conselho. “No cumprimento do nosso dever fiduciário, somos movidos a agir em defesa dos interesses de nossos participantes. Somos investidores financeiros e estamos alinhados com os interesses dos demais acionistas", indica.

"Precisamos buscar a reformulação da estratégia de gestão da BRF para, assim, superar os grandes desafios que a Companhia precisa enfrentar. Infelizmente, a estratégia implementada até o momento não surtiu os resultados desejados”, destaca o diretor de investimentos da Petros, Daniel Lima.

PROBLEMAS

No ano passado, uma série de fatores ajudou a pressionar a BRF, tanto do ponto de vista de gestão quanto político. A empresa foi alvo da Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, o que enfraqueceu uma posição já de exposição no mercado. Um ex-conselheiro foi preso pela Operação Lava Jato, dois outros são investigados sob acusação de serem infiltrados da rival JBS e o braço direito de Abilio na empresa teve de ser afastado por ter sido condenado em segunda instância em um caso de fraude não relacionado com a BRF.

Por fim, em agosto foi anunciada a saída do presidente da empresa desde 2015, Pedro Faria, que voltou para o Tarpon. Seu sucessor, José Drummond, apoiado por Abilio e pelo fundo, agora tem sua posição disputada. Só na sexta (23) a BRF perdeu 8,33% de seu valor de mercado na Bolsa devido à divulgação do prejuízo. Em conferência naquele dia, Abilio disse ter sido “surpreendido” pelo mau resultado.

Além disso, conselheiros questionam a intensificação da relação da BRF com a rede de supermercados Carrefour, da qual Abilio é o terceiro maior acionista. Embora o Conselho Administrativo de Defesa Econômica tenha aprovado preliminarmente o acúmulo de posições nas duas empresas em 2015, há integrantes do conselho que veem conflito de interesses.

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Edhucca

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