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Em dia de rebaixamento, Bolsa brasileira bate 4º recorde seguido

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DANIELLE BRANT

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O rebaixamento da nota de crédito do Brasil pela agência de classificação de risco Fitch não causou o menor impacto no mercado financeiro nesta sexta-feira (23), e a Bolsa brasileira emendou seu quarto recorde nominal seguido e fechou acima dos 87 mil pontos pela primeira vez.

O Ibovespa, índice das ações mais negociadas, subiu 0,70%, para 87.293 pontos. Em termos reais, ou seja, quando considerada a inflação, o indicador ainda está bem abaixo do recorde de maio de 2008, de 73.516 pontos -que hoje equivaleriam a cerca de 130 mil pontos. Na semana, o índice subiu 3,28%.

O volume financeiro foi de R$ 12,8 bilhões -a média diária de fevereiro está em R$ 13,1 bilhões.

O corte da nota também não teve reflexos sobre outros indicadores de risco do país. O dólar, moeda à qual os investidores recorrem quando buscam segurança, fechou em baixa. O dólar comercial recuou 0,21%, para R$ 3,242. Na semana, teve alta de 0,6%. O dólar à vista caiu 0,38%, para R$ 3,237 -alta de 0,87% na semana.

O CDS (credit default swap), espécie de seguro contra calote do país, teve queda de 1,72%, para 154,8 pontos.

Os contratos mais negociados de juros futuros, que também espelham risco, recuaram. Os DIs para abril de 2018 caíram de 6,609% para 6,605%. Os DIs para janeiro de 2019 tiveram baixa de 6,590% para 6,575%.

A falta de repercussão no mercado se deu porque o rebaixamento já era esperado, principalmente após a agência de classificação de risco S&P Global ter cortado o rating do Brasil em janeiro deste ano, em meio ao então adiamento da votação da reforma da Previdência.

E se tornou ainda mais iminente após o governo ter anunciado, na última segunda-feira (19), que desistiu de colocar para votação a reforma. No lugar, apresentou um pacote de 15 medidas, a boa parte delas requentadas e já em tramitação no Congresso.

Como resposta, a própria Fitch e a Moody's alertaram que a desistência era negativa para a nota de crédito do país -e a Fitch acabou tomando a dianteira e rebaixando o país antes da concorrente.

José Francisco Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator, avalia que o rebaixamento já estava na conta. "É só uma formalidade, de passar a régua e dizer que não se fala mais nisso até as eleições. É sinal de que eles esperam mudanças que não são muito prováveis. A reação do mercado estava na conta. Não vai ter Previdência e o governo não tem mais o que anunciar", diz.

Segundo a Fitch, o rebaixamento reflete o deficit fiscal persistente do Brasil, um grande e crescente endividamento do governo e o fracasso de aprovar no Congresso reformas que poderiam equilibrar as finanças públicas.

"O pacote das 15 medidas foi uma espécie de gota d'água. Do lado da equipe econômica, é o que tinham para apresentar, o que conseguiram entregar. Agora, é esperar pelas eleições", afirma Gonçalves. 

AÇÕES

Das 64 ações do Ibovespa, 47 subiram, 15 caíram e duas fecharam estáveis.

A maior alta foi registrada pela Magazine Luiza, com avanço de 6,84%. A empresa teve lucro de R$ 165,6 milhões no quarto trimestre, alta de 260% em relação ao mesmo período do ano anterior.

As ações preferenciais da Eletrobras subiram 4,58% e as ordinárias se valorizaram 4,23%. 

A BRF liderou as baixas, perdendo 8,33%. A companhia teve prejuízo líquido de R$ 784 milhões no quarto trimestre, uma piora em relação ao resultado negativo de R$ 442 milhões registrado um ano antes.

A Petrobras fechou em alta de cerca de 2%, em linha com o avanço dos preços do petróleo. A commodity subiu e atingiu o maior nível em mais de duas semanas, apoiada no fechamento do campo de petróleo de El Feel, na Líbia, e por comentários otimistas da Arábia Saudita de que uma iniciativa da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) para cortar estoques está funcionando.

As ações preferenciais da estatal subiram 1,83%, para R$ 21,12. Os papéis ordinários tiveram valorização de 2,58%, para R$ 22,65.

A mineradora Vale subiu 0,90%, para R$ 46,08.

No setor financeiro, o Itaú Unibanco avançou 0,68%. Os papéis preferenciais do Bradesco subiram 0,92%, e os ordinários recuaram 0,13%. O Banco do Brasil ficou estável, e as units -conjunto de ações- do Santander Brasil tiveram valorização de 2,2%.

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