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Prejuízo recorde da BRF dispara crise por comando da empresa

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IGOR GIELOW

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O prejuízo recorde registrado em 2017 pela BRF, maior processadora de alimentos do país, derrubou as ações da empresa nesta sexta-feira (23) e levou a uma nova revolta pelo seu controle.

Na semana que vem, um grupo de acionistas liderado pelos fundos de pensão da Petrobras (Petros) e do Banco do Brasil (Previ) deverá pedir a destituição do Conselho de Administração da BRF e de seu executivo-chefe, José Drummond. O alvo é o empresário Abilio Diniz, que tem cerca de 3% da empresa e é presidente do conselho, tendo Drummond como seu protegido.

Procurada, a BRF e Abilio afirmaram que não comentariam "especulações do mercado". Petros e Previ, que somam 21% das ações da empresa, não falam sobre o caso.

Não é uma crise nova. Abílio está no controle da BRF aliado ao fundo Tarpon, dono de 7,26% da BRF, desde 2013. Após um período de grande valorização das ações, que bateram nos R$ 70, a empresa voltou a experimentar o que um executivo definiu como uma "ex-Iugoslávia" em termos de conflitos internos.

Nesta sexta, após a divulgação do balanço no qual registrou prejuízo inédito de R$ 1,1 bilhão no ano passado, as ações da BRF caíram mais de 7% na Bolsa. Seu valor de mercado teve depreciação de 21,8% no ano passado, outro recorde. A ação que valia R$ 45 antes da entrada de Abilio em 2013 era vendida nesta sexta por R$ 28.

Ao longo do ano passado, a turbulência foi multifacetada. A Operação Carne Fraca atingiu a empresa no começo do ano. Um membro de seu conselho, o ex-presidente da Petrobras e do BB Aldemir Bendine, foi afastado e acabou preso pela Operação Lava Jato. Dois ex-integrantes do colegiado foram processados sob a acusação de serem infiltrados da rival JBS para facilitar a venda da empresa.

Abilio perdeu seu braço direito na gestão direta da empresa, o então vice-presidente da Integridade José Roberto Pernomian Rodrigues, o JR, condenado por fraude em um negócio da década passada -caso no qual ainda recorre. Menos de um mês depois, no fim de agosto, foi anunciada a saída do presidente da empresa, Pedro Faria, que voltou ao fundo Tarpon.

Drummond acabou entronizado em dezembro, sob as bençãos de Abilio. Os maus resultados da empresa reacenderam as críticas contra a gestão, e há relatos de que a relação entre Tarpon e Abilio está azedada.

Além disso, alguns conselheiros questionam a posição do empresário como presidente do conselho da BRF e terceiro maior acionista do grupo francês Carrefour -eles querem saber se há conflito de interesses nos negócios entre a empresa fornecedora e o supermercado que vende os produtos por ela produzidos.

A BRF surgiu em 2009, fruto da fusão das marcas Sadia e Perdigão que foi completada em 2013, sob influência do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Atua em mais de 150 países e tem cerca de 100 mil funcionários.

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