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Há mais informais na construção e em serviços de beleza

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Ao lado do comércio ambulante de alimentação, atividades como construção e serviços de beleza ajudaram a impulsionar as vagas de emprego informal nos últimos meses, segundo o coordenador do IBGE Cimar Azeredo.

Aconteceu com o paulistano Alexandre Barbosa, 38, depois que perdeu o emprego com carteira assinada em uma serralheria. Ele aproveitou as lições que aprendeu com o pai, mestre de obras, e foi fazer bico em pequenas obras.

Ensinou o ofício ao amigo Roberto Assis, 45, que por sua vez perdera o emprego formal em uma empresa de turismo. Eles dividem o serviço quando um deles consegue um novo cliente.

"O recurso financeiro ficou menor do que antes, quando eu trabalhava na serralheria, mas eu tenho três crianças para cuidar. Não posso parar", afirma.

A cabeleireira Cleusa de Souza, 48, também partiu para a atividade por conta própria. Abriu seu negócio para ajudar na renda da família. Após sair do salão de beleza onde trabalhava até meados do ano passado, alugou uma sala em São Miguel Paulista, na zona leste de São Paulo.

"Tenho que conseguir ganhar mais para pagar o aluguel e à pessoa que vai me auxiliar na depilação."

Dados do IBGE mostram que o número de empregados com carteira assinada no Brasil atingiu, em novembro, o menor nível dos últimos cinco anos, confirmando uma tendência consolidada nos últimos meses: são as vagas informais, sem a proteção e os benefícios da lei trabalhista, que estão empurrando para baixo as taxas de desemprego no país.

O contingente de trabalhadores com carteira atingiu 33,2 milhões de pessoas no trimestre encerrado em novembro, o menor nível da série iniciada em 2012. Desde abril de 2015, quando a formalização começou a cair, cerca de 3 milhões de postos com carteira foram perdidos.

DOMÉSTICAS

Por outro lado, cresceram as vagas sem carteira e por conta própria, além do trabalho doméstico, atividade que havia recuado na última década devido à alta da escolarização e da renda da população.

Mulheres jovens passaram a buscar ocupações de maior remuneração nos serviços e no comércio. Segundo o IBGE, dois terços dos trabalhadores domésticos não têm carteira assinada e 60% das vagas são ocupadas por mulheres negras ou pardas.

Embora as vagas informais contribuam para reduzir a taxa de desemprego e movimentar o consumo, Cimar Azeredo cita consequências nocivas no longo prazo.

"Esse informal não está contribuindo para a Previdência, não recolhe imposto. Ao fazer um crediário numa loja, ele não tem uma garantia para apresentar. Ele não tem crédito. Com o passar do tempo, o comércio não avança e a industria não vende. É um ciclo vicioso", diz.

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