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Bitcoin desaba 30% em quatro dias e deve ter pior semana desde 2013

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DANIELLE BRANT E NATÁLIA PORTINARI

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A cotação do bitcoin despenca quase 20% nesta sexta-feira (22), em queda que deixa o valor da moeda perto de US$ 12 mil. Em quatro dias de baixa da criptomoeda, a desvalorização acumulada foi de 31,4%.

Caso a baixa continue, será a pior semana para o bitcoin desde a encerrada em 6 de dezembro de 2013, quando a queda acumulada foi de 51,09%.

Na última segunda-feira (18), a criptomoeda atingiu o valor recorde de US$ 18.674, levantando preocupações sobre o movimento ser de uma bolha de especulação.

A semana teve alguns eventos desfavoráveis para a bitcoin. A corretora Youbit, na Coreia do Sul, anunciou na terça-feira (19) que foi hackeada e perdeu 17% de seus ativos.

A empresa teve que fechar as portas, e quem tinha dinheiro lá foi informado de que poderia sacar apenas 75% de suas criptomoedas.

A Coinbase, baseada em São Francisco, nos Estados Unidos, também teve problemas. A casa anunciou, nesta semana, que passaria a aceitar bitcoin cash, um derivado do bitcoin.

Por conta disso, subiu o preço da moeda alternativa, o que levantou suspeitas internas de que alguém na Coinbase teria praticado "insider trading" [uso financeiro indevido de informações privilegiadas]. A negociação de bitcoin cash foi interrompida logo depois, na quarta-feira (20).

Autoridades também manifestaram sua preocupação com a especulação em torno da criptomoeda. O diretor do Banco Central da Dinamarca disse, na quarta-feira (20), que a criptomoeda era uma jogatina "mortal".

No mesmo dia, a autoridade monetária da Cingapura soltou um alerta pedindo "cuidado extremo" para investidores.

REALIZAÇÃO DE LUCROS

Para Alan de Genaro, professor de economia na Universidade de São Paulo, a queda nos últimos dias pode ser explicada por uma realização de lucros de investidores que esperaram o recorde de alta na segunda-feira.

"O preço subiu muito, então é natural que alguns detentores de bitcoin acabem por vender suas posições para receber dinheiro", afirma.

Ele diz que é difícil prever se a tendência é queda ou de recuperação a partir de agora. "Uma hora ou outra as pessoas vão vender seus ativos para transformá-los em dólares ou outra moeda."

A volatilidade era esperada, afirma Ricardo Rocha, professor do Insper. "Se, de fato, não é bolha, é uma realização de lucros saudável".

"O pessoal está vendendo", diz Rudá Pellini, sócio da plataforma de investimento Wise&Trust. "A diferença é que nesse mercado não tem circuit breaker [trava nas negociações na queda]. Mas as correções do bitcoin são pesadas e são duras, em junho já tivemos algo parecido."

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