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Voo de Lisboa a Recife tenta reproduzir o glamour dos anos 1970

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CAROLINA MUNIZ, ENVIADA ESPECIAL

LISBOA, PORTUGAL (FOLHAPRESS) - À porta do avião da TAP, aeromoças vestidas com uniformes dos anos 1970 receberam os 228 passageiros do voo com destino ao Recife, que saiu do aeroporto de Lisboa na tarde desta segunda (4). Só então, muitos deles perceberam que estavam prestes a entrar também em uma viagem no tempo.

Buscando reproduzir o glamour da aviação da década de 1970, o voo retrô da TAP à capital pernambucana comemorou os 50 anos da operação dessa rota pela companhia portuguesa. É também o terceiro do tipo ao Brasil -o primeiro foi do Porto para São Paulo em agosto, e o segundo, de Lisboa para o Rio em setembro.

As viagens retrô fazem parte da celebração dos 72 anos da TAP. Outras cinco foram realizadas neste ano a outros destinos: Toronto (Canadá), Luanda (Angola), Maputo (Moçambique), Miami e Nova York (Estados Unidos).

"A iniciativa previa seis voos, e já estamos no oitavo. Posso dizer que ela não vai parar por aqui. Dado ao sucesso que teve, certamente irá continuar em 2018", disse Miguel Frasquilho, presidente do conselho administrativo da TAP, à reportagem durante a viagem a Recife.

O Airbus 330-300 usado nesses voos recebeu uma pintura especial, que recupera a decoração dos aviões da companhia de meados dos anos 1950 até o fim da década de 1970. Com o desenho da bandeira de Portugal e a inscrição "Transportes Aéreos Portugueses", a aeronave deve operar nessas cores por dois anos, quando será substituída por um novo modelo Airbus A330-900Neo.

"Faz muitos anos que nós, pilotos, pedíamos uma aeronave com pinturas do passado", disse o comandante do voo, Paulo Nunes. Em 1970, ele tinha apenas quatro anos, mas se recorda de voar a bordo dos aviões da TAP junto com o pai, que foi mecânico da companhia. "É sem dúvida uma nostalgia. Me lembro de viajar e ver as meninas com essa farda", conta ele, se referindo ao uniforme das comissárias.

O modelo foi desenhado pelo costureiro francês Louis Féraud, vencedor do concurso aberto em 1970 para o design da roupa das aeromoças -a primeira da TAP a incluir minissaia, uma ousadia para a época.

Além das comissárias, a maratonista portuguesa Rosa Mota, medalhista olímpica e hexacampeã da São Silvestre, recebeu os passageiros na porta da aeronave vestida com o uniforme.

"Achei muito bonita a iniciativa de colocar uma atleta para interagir com os passageiros", afirmou a empresária Jael da Silva, 46, que mora em Fortaleza (CE). Antes de embarcar, ela não sabia que o voo seria retrô. "Foi uma surpresa. Percebi pelos uniformes das comissárias de bordo, que têm um modelo muito bonito e de cores vibrantes."

Já a dona de casa Midian de Oliveira, 36, quando perguntada pela reportagem sobre o que havia achado do voo temático, questionou: "Mas qual era o tema?". Ela disse que é passageira frequente da TAP e que achou o voo ótimo, com serviço superior ao dos outros, mas que não entendeu qual era a proposta. "Faltou eles explicarem melhor."

Os passageiros só foram avisados sobre a experiência retrô por e-mail um dia antes do voo.

PRESENTE E PASSADO

Nem tudo que era comum nos voos da década de 1970 pôde ser reproduzido pela viagem retrô da TAP como, por exemplo, o fumo a bordo.

Para não diminuir o conforto dos passageiros durante o trajeto de sete horas, a TAP também optou por manter os televisores de entretenimento, que não existiam naquele tempo. A solução encontrada pela companhia foi criar um canal de músicas portuguesas e uma seleção de filmes dos anos 1970, como "Rocky" (1976) e "Star Wars Episódio IV: Uma Nova Esperança" (1977).

Nos aviões da década de 1970 também não havia divisão entre classes. Nesse voo, porém, houve diferença entre o que foi oferecido para as classes econômica e executiva.

Todos os passageiros receberam um "diploma de viajante do tempo", dois cartões postais, uma etiqueta de bagagem, um protetor para cartão de embarque e uma bolsa estilizada com o logotipo clássico da empresa, conhecido como Passarola.

Quem viajou pela classe executiva ainda foi presenteado com pijama, água de colônia, creme de mãos, pasta de dente e creme desodorante -todos de marcas usadas à época nos kits de higiene dos voos.

A louça e os copos de vidro também foram usados apenas pela classe executiva, mas os pratos principais do menu, assinado pelo chef português Rui Paula, premiado com uma estrela no Guia Michelin, puderam ser saboreados por todos os passageiros.

Eles podiam optar por bife à portuguesa (com presunto e batatas) ou bacalhau com purê de grão de bico. "Fiz essa escolha porque portugueses e brasileiros gostam muito de bacalhau. Além disso, na década de 1970, muito mais gente comia bacalhau, porque o peixe fresco não chegava a todo lado", explica Paula, também a bordo do voo.

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