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Fim das celas de gestação em criação animal só virá em 2026, dizem empresas

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MARA GAMA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - No dia 28 de novembro, reportagem da Folha de S.Paulo registrou que a ONG internacional Mercy For Animals, que combate maus tratos de animais criados para consumo, pediu que o Grupo Pão de Açúcar pare de comprar carne de porco de fornecedores que usam métodos de confinamento considerados cruéis.

A ONG mostrou um vídeo com imagens gravadas em uma fazenda cooperada da marca Aurora, em Xanxerê (SC), com cenas de sofrimento no abate de leitões e porcas em celas de gestação. Os produtos da Aurora são vendidos nos supermercados Pão de Açúcar, Extra e Assaí, do grupo.

As celas de gestação têm quase o mesmo tamanho que as porcas. Segundo a ONG, seu uso é das piores práticas da indústria e elas já foram banidas na União Europeia.

Em mensagem sobre a reportagem enviada no dia 30, a Cooperativa Central Aurora Alimentos afirma que assumiu o compromisso de, até o ano de 2026, realizar a migração do sistema de alojamento de matrizes suínas em gaiolas para o sistema de alojamento em baias coletivas.

Para isso, diz, "promoverá investimentos em novas iniciativas e adequações que aumentem a produção em baias coletivas, apoiando seus cooperados no cumprimento deste compromisso".

A empresa afirma que, desde 2008, adota e aplica políticas de bem-estar animal nas cadeias produtivas de aves e suínos. Formada por 13 cooperativas, diz respeitar quatro princípios fundamentais para avaliação do bem-estar dos animais recomendados pelo Welfare Quality: boa alimentação (ausência de fome e sede prolongada); bom alojamento (conforto ao descansar, conforto térmico e facilidade para se movimentar); boa saúde (ausência de lesões, doenças e de dor provocada por manejo inadequado) e comportamento apropriado (expressão do comportamento natural, ausência de medo e estresse e boa relação entre humano e animal).

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) também enviou sua posição sobre a reportagem, por e-mail, afirmando que diversas agroindústrias brasileiras já assumiram o compromisso de extinguir a cela de gestação dentro de um prazo pré-estabelecido, entre elas as maiores produtoras do setor.

R$ 1,5 BILHÃO PARA MUDAR MODELO

A Aurora e a ABPA afirmam que o prazo até 2026 é necessário pelos custos elevados da modificação, estimados em R$ 1,5 bilhão. Segundo a ABPA, não há crédito disponível para que os produtores arquem com os custos em um curto espaço de tempo, que poderiam causar escassez para o consumidor final.

Segundo a associação, com um processo de produção mais caro o custo do alimento também se elevará. Por este motivo, argumenta, há esforços para que a mudança ocorra de forma gradativa.

"Mesmo na União Europeia, onde este processo está mais avançado, ainda não há consenso quanto à efetividade do abandono da cela de gestação, ao mesmo tempo em que vários países, como a Alemanha, não conseguiram abandonar totalmente o sistema", diz a ABPA.

A entidade diz que não há fiscalização das metas e prazos de modificação, por se tratar de "um processo voluntário" estabelecido pelas próprias empresas.

OVOS

A Aurora afirma também que "está promovendo um levantamento junto aos seus parceiros comerciais sobre o uso de ovos em suas produções para, em um horizonte breve, anunciar com viabilidade e segurança a meta de ovos 100% livres de gaiolas".

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