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Bolsa avança 1,1% com articulações do governo para aprovar Previdência

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - As negociações do governo para tentar aprovar a reforma da Previdência animaram o mercado nesta segunda-feira (4) e a Bolsa brasileira conseguiu sustentar a segunda alta seguida. O dólar perdeu força em relação ao real, na contramão da valorização da moeda americana ante a maioria das divisas do mundo.

O Ibovespa, índice que reúne as ações mais negociadas, fechou em alta de 1,14%, para 73.090 pontos. O volume financeiro negociado foi de R$ 8 bilhões.

O dólar comercial se desvalorizou 0,27%, para R$ 3,248. O dólar à vista recuou 0,30%, para R$ 3,244.

A esperança de aprovação da reforma da Previdência voltou a contagiar o mercado nesta segunda. Na noite de domingo, o presidente Michel Temer reuniu, na casa oficial do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), líderes de partidos para tentar avaliar quantos votos o governo teria a favor da proposta de mudanças na aposentadoria.

Como parte da ofensiva, também decidiu liberar mais R$ 3 bilhões a municípios em 2018 caso a reforma seja aprovada. O objetivo é pressionar os prefeitos a influenciarem deputados na Câmara para que eles votem em favor das mudanças nas regras de aposentadoria.

Nesta segunda, o ministro Henrique Meirelles (Fazenda) disse haver "boa probabilidade" de votação da reforma da Previdência no Congresso ainda neste ano.

"Tanto no almoço no Palácio da Alvorada quanto no jantar, houve comprometimento muito grande de todos os partidos da base com a reforma, porque todos entendem a necessidade de fazer", afirmou.

A proximidade da última reunião do Copom (comitê de política monetária do Banco Central) foi outro fator que favoreceu as negociações em Bolsa, avalia Marco Tulli, gestor da mesa de operações da corretora Coinvalores. "Há uma taxa Selic em patamares historicamente baixos, o PIB positivo, uma projeção para 2018 e 2019 melhor ainda. São fatores que ajudam a impulsionar a Bolsa", diz.

Por outro lado, os investidores desconsideraram o resultado da pesquisa Datafolha que mostrou a consolidação da liderança de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) aparece isolado em segundo lugar da corrida presidencial.

AÇÕES

Das 59 ações do Ibovespa, 43 fecharam em alta e 16 caíram.

As ações da JBS lideraram as altas do Ibovespa, com ganho de 8%. Nesta segunda, o BNDES, principal acionista minoritário na empresa, disse aguardar a convocação de uma assembleia geral para deliberar sobre os prejuízos que as delações dos acionistas controladores causaram à companhia.

"O conselho de administração não é um local suficientemente amplo para discussão que precisa ser feita, por mais que lá tenhamos conselheiros novos do BNDES muito bem equipados Precisamos de AGE, é nela que sócios discutem as perspectivas da empresa", comentou o presidente do banco de fomento, Paulo Rabello de Castro.

A Metalurgica Gerdau avançou 4,93%, enquanto as ações ordinárias da Vale subiram 3,80%, para R$ 36,83, impulsionadas pela forte alta de 3,67% do minério de ferro -a quinta valorização seguida.

Na ponta contrária, as ações da CPFL Energia recuaram 5,09% e lideraram as baixas do índice. A Braskem perdeu 2,59%, e a Ecorodovias se depreciou 2,30%.

As ações da Petrobras foram pressionadas pela queda de cerca de 2% dos preços do petróleo e caíram. As ações preferenciais recuaram 0,83%, para R$ 15,48. As ações ordinárias da estatal perderam 0,12%, para R$ 16,09.

No setor financeiro, as ações do Itaú Unibanco subiram 1,48%. Os papéis preferenciais do Bradesco tiveram valorização de 1,66%, e os ordinários subiram 0,49%. O Banco do Brasil teve ganho de 2,44%, e as units -conjunto de ações- do Santander Brasil fecharam com alta de 3,69%.

DÓLAR

A aprovação, pelo Senado americano, de proposta de reforma tributária no último sábado fez o dólar ganhar força em relação a 20 das 31 principais moedas do mundo.

No que seria a maior reforma tributária nos EUA desde a década de 1980, os republicanos querem aumentar a dívida nacional de US$ 20 trilhões em US$ 1,4 trilhão ao longo de 10 anos para financiar as mudanças, que eles dizem que aumentarão ainda mais uma economia já em crescimento.

O CDS (credit default swap, espécie de seguro contra calote) do Brasil recuou 2,12%, para 166,9 pontos.

No mercado de juros futuros, os contratos mais negociados fecharam em baixa. O contrato com vencimento em janeiro de 2018 caiu de 7,005% para 6,970%. O contrato para janeiro de 2019 recuou de 7,090% para 7,040%.

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