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Economia

Investimentos reagem após um ano em queda; indústria tem melhora

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LUCAS VETTORAZZO E MARIANA CARNEIRO

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O investimento na economia brasileira voltou a crescer, após um ano de quedas consecutivas. Os dados do PIB (Produto Interno Bruto) divulgados nesta sexta-feira (1º) mostram que os investimentos tiveram alta de 1,6% no terceiro trimestre deste ano frente ao verificado no trimestre imediatamente anterior. É a primeira alta após quatro trimestres seguidos de queda. A última alta no indicador, considerado um importante termômetro da atividade econômica, havia sido no segundo trimestre de 2016.

O resultado do terceiro trimestre deste ano reverteu queda de 0,7% do trimestre imediatamente anterior, encerrado em junho. No intervalo de um ano, o investimento teve queda de 0,5%.

O investimento demorou a decolar em razão da alta ociosidade na indústria e elevados estoques nas fábricas em razão da crise, do desemprego e da redução do consumo das famílias. Com vendas ruins, as empresas perdem o apetite para investir em aumento de produção ou novas linhas de produtos.

Apesar das recentes quedas da taxa básica de juros, o que barateia o crédito e em última instância pode tornar investimentos mais atrativos, ainda paira sobre a economia a nuvem da crise política e das incertezas com relação à capacidade do governo de Michel Temer em aprovar reformas no Congresso e reduzir gastos da máquina pública. O mais recente episódio da crise política é a dificuldade em implantar e votar mudanças previstas na reforma da Previdência.

O resultado do PIB mostra maior espalhamento da melhora econômica entre os diversos setores. A construção civil, no entanto, continua no limbo. O segmento, que é o principal componente da conta de investimento, ficou estável em relação ao trimestre imediatamente anterior. Na comparação com igual período do ano passado, a queda é de 4,7%.

As perdas remontam o início da crise e também a operação Lava Jato, que colocou sob suspeita a atuação das principais construtoras e empreiteiras no país. Grandes obras pública que eram tocadas, como o Comperj, refinaria da Petrobras no Rio, estão em compasso de espera.

Outro ponto é o esforço para redução das despesas do governo, que atinge o investimento público. O governo federal já anunciou congelamento de repasses do PAC e redução das despesas com o programa Minha Casa, Minha Vida. O mercado aguarda ainda os programas de concessões de infraestrutura do governo, que ainda não deslancharam.

INDÚSTRIA

A indústria, que também é considerada termômetro da economia e parte importante no cálculo do PIB, tem dado sinais de recuperação ao longo deste ano.

O setor teve alta de 0,8% no terceiro trimestre frente ao segundo trimestre deste ano. Na comparação anual, a queda foi de 0,4%.

O setor extrativo tem ido bem, a reboque da melhora dos preços das commodities após um 2016 de cotações em queda. O setor, que reúne as indústrias do petróleo e mineração, cresceu 0,2% no terceiro trimestre.

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