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Ambiente de negócios no Brasil é horrível, diz executivo do Banco Mundial

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NATÁLIA PORTINARI

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Para Otaviano Canuto, diretor executivo do conselho de administração do Banco Mundial, é mais importante do que nunca resolver o "ambiente de negócios horrível" e a carência de infraestrutura no Brasil.

A declaração foi feita nesta segunda-feira (27), em evento do Instituto República, presidido pelo economista Octavio de Barros. O tema da discussão eram as cadeias globais de valor entre países.

"Se, por um lado, a globalização tornou menos importante o custo da mão de obra e os recursos naturais no desenvolvimento dos países, o ambiente de negócios é cada vez mais relevante", disse Canuto.

"Os requisitos de um bom ambiente de negócios têm uma importância tremenda, como a resolução rápida de pendências contratuais e trabalhistas, investimento em infraestrutura e fim de práticas protecionistas. No Brasil, o capitalismo não funciona. É o país onde empresas ineficientes mais sobrevivem."

No evento, Jorge Arbache, secretário de assuntos internacionais do Ministério do Planejamento, disse que a mudança nas cadeias produtivas entre países pode gerar ainda mais desigualdade.

"Nós pensávamos que iria acontecer uma convergência entre os países emergentes e os mais desenvolvidos, mas quiçá veremos um aumento da desigualdade", disse Arbache.

"A diferença não está mais na concentração de bens de capital nos países ricos, e sim na gestão de plataformas de tecnologia. Pensava-se que a internet ia democratizar a abertura de negócios, mas vemos o contrário, uma absurda consolidação do mercado de economia digital."

Ele afirma que o deslocamento do setor de serviços do mercado regional para grandes empresas (como Uber, Amazon) leva a uma fuga de capital do país.

Henri Philippe Reichstul, ex-presidente da Petrobras, também presente no evento, afirmou que "o Brasil é uma baleia que quer ser uma sereia".

"É um bicho grande, que se move lentamente. Faz 20 anos que falamos de cadeias de valor, mas qual a cadeia que existe aqui no Mercosul, ou na indústria automobilística? Deixa a turma aqui da economia falar e a baleia continua lá, na dela."

Reichstul afirma que, com a concentração de tecnologia em países ricos, é "perigoso" voltar à teoria da dependência e do colonialismo. "Somos uma economia muito protegida e fechada, e essa proteção não é boa. Precisamos pensar um modelo não ideologizado de desenvolvimento."

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