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Petros vai à Justiça contra ex-dirigentes por falhas em investimentos

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NICOLA PAMPLONA

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A Petros, fundação que gere os planos de aposentadoria dos empregados da Petrobras, prepara-se para responsabilizar judicialmente ex-dirigentes por perdas em investimentos nos últimos anos.

De acordo com o presidente da fundação, Walter Mendes, os primeiros processos serão abertos "em breve", como resultado de investigações internas sobre falhas na decisão de investimentos.

Em setembro, a entidade anunciou a cobrança de contribuições extraordinárias para cobrir rombo de R$ 27,7 bilhões em seu maior plano de aposentadoria, processo que deve ser questionado na Justiça pelos participantes.

Mendes não quis adiantar quais ex-dirigentes serão processados nem em quais investimentos foram detectados problemas. Mas disse que, em alguns casos, os resultados das investigações estão sendo enviados ao Ministério Público e à Previc, órgão que fiscaliza o setor de previdência complementar no país.

"São casos investigados pelas comissões internas de apuração", limitou-se a dizer, em entrevista nesta terça (23) durante evento sobre controles nos fundos de pensão.

Em 2016, a Folha de S.Paulo antecipou que investigação da Ernst Young identificou uma série de falhas na análise de 70 investimentos que somavam R$ 1,6 bilhão e que se mostravam irrecuperáveis ao fim de 2014.

Participantes do fundo acusam gestões anteriores de atuar sob interferência política, ao aplicar recursos em empresas de interesse do governo, como a fabricante de sondas petrolíferas Sete Brasil.

INTEGRIDADE

Mendes disse que a fundação está lançando um novo programa de integridade, com reforço nos controles para evitar a repetição dos problemas vistos nos últimos anos.

"Vamos fazer tudo o que for possível no sentido de blindar a fundação", disse o executivo.

A entidade criou três comitês, com a participação de executivos externos, para auxiliar os conselhos deliberativo e fiscal, e reviu os procedimentos da área de análise de investimentos.

Além disso, trabalha para atingir a meta de indicar até 2018 apenas conselheiros independentes para empresas nas quais tem participação. Atualmente 33,3% dos indicados ainda são ligados à Petros.

O próprio Mendes é conselheiro de duas companhias, Invepar e BRF, das quais se desligará no ano que vem.

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