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"Não vou comprar nada e ficarei longe do e-mail na Black Friday", diz autora de livro sobre consumo

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MARA GAMA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - "Não vou comprar nada na Black Friday", diz Carol Sandler. "E vou ficar longe do e-mail".

Seis meses de abstinência "imunizaram" a jornalista e economista contra excessos. Em janeiro de 2016, ela determinou corte de compras de roupas, bolsas, sapatos e bijuterias e só adquiriu livros que precisava "muito" ler. Em julho, sentiu que a experiência havia mudado sua relação com o consumo.

"Já comprei besteira, estourei cartão. Agora me controlo", conta Carol. O mais difícil, segundo ela, é ficar imune às ofertas que chegam por e-mail e pelas redes, a qualquer hora, de lojas onde já comprou.

Um bom começo para fugir do impulso de adquirir é saber que "tudo é emocional" e que conter-se é como fazer dieta. "Toda escolha é uma renúncia. Ninguém gosta de renunciar, mas quando há um objetivo maior, algo importante a obter mais para frente, vale e pena", diz. "Ganhar dinheiro é bem difícil. Gastar, não".

A experiência sem comprar deu o impulso que faltava para que ela escrevesse seu segundo livro, "Detox das Compras - Como se livrar do consumismo e repensar a forma como gasta seu Dinheiro", com lançamento em São Paulo nesta quarta, 22.

Histórias de pessoas em apuros com a família ou com os bancos por causa de gastos excessivos chegam diariamente ao site Finanças Femininas , plataforma online de educação financeira criada por ela em 2012. E ajudaram a compor o livro.

"A percepção de como a velocidade atual agrava o consumismo foi também decisiva. Havia antes quatro coleções de moda por ano. Hoje, com a fast fashion, há mais de 50."

"Não quero ser guru do consumo responsável. Quero manter o controle", diz. A pedido da reportagem, ela elaborou cinco dicas para evitar o consumismo.

A seguir, trechos da entrevista.

Pergunta - O que pretende fazer na Black Friday?

Carol Sandler - Não vou fazer nada. Não vou comprar nada. Não preciso de nada. Nem óculos, bolsa, nada. Vou ficar longe do Facebook e do meu e-mail. É um dia para ficar longe de tudo isso.

Você é ou já foi consumista?

- Já comprei bobagem e já estourei cartão. Melhorei depois dos seis meses sem compras. Recentemente voltei a receber por e-mail listas de produtos e percebi que esse tipo de abordagem é mais difícil de combater.

Tenho que me controlar, e todos nós temos, porque vão chegando as ofertas sem você pedir. Hoje em dia, tenho uma lista do que quero comprar. E vou vendo quando dá para satisfazer os desejos que tenho anotados. A minha ideia não é ser uma guru do consumo responsável, mas manter sob controle os meus gastos. Não fiz mais nenhuma compra que eu não tenha usado, e isso é um bom sinal.

Muitas pessoas consumistas não percebem isso. Quais são os sintomas?

- Em primeiro lugar, comprar para compensar tristeza ou frustração. Esconder as compras das pessoas próximas indica problema. Estar com o cartão no rotativo é sinal de falta de planejamento. E, ainda, arrumar desculpa para comprar, presenteando os outros, porque alivia a culpa de comprar. Se você tem algum desses sintomas, precisa se preocupar. Tudo é emocional.

Já senti na pele. Minha época mais consumista foi quando eu estava frustrada com minha carreira. É comum nessas fases você se ouvir dizer, para se desculpar de um excesso: "Ah, eu mereço isso" ou "É para isso que eu trabalho".

Como ensinar as crianças a não serem consumistas?

- É um desafio. Tenho uma filha de 4 anos. É uma conversa contínua ensinar que não são as coisas que deixam a gente feliz. Já instituí que presente é só nas datas comemorativas, assim se aprende a esperar e ter o que esperar.

Para isso é necessária a colaboração dos avós. Vale chamá-los para conversar, explicando que o controle de presentes é para o bem da criança, para que não fique viciada em novidade. Criança viciada em novidade entra num ciclo em que o ato de comprar é melhor que ter o brinquedo, por exemplo.

Mas tudo isso funciona desde que em casa a criança tenha referência. Se você chega com sacolas todos os dias, não dá para ensinar que comprar é um ato que exige preparação. Se a família só passeia em shopping, a mesma coisa. O lazer não pode estar conectado às compras. Tem de passear em parque, brincar. Também indico que se ensine a criança a fazer sua lista de desejos, para aprender a se programar

O gênero influencia no consumismo?

- A mulher é alvo preferencial. Porque tradicionalmente ela administra o orçamento doméstico. As mulheres são 2/3 dos casos declarados de transtorno compulsivo de compra. Pode haver desvio, porque elas costumam assumir mais que têm problemas e procurar ajuda.

No seu livro, você cita vários movimentos que questionam o consumo excessivo. O que há de comum entre eles?

- O que se discute hoje é o que é necessário. De que forma os produtos foram feitos? De que forma as suas vontades pessoais impactam o meio ambiente? Consertar, recuperar, reusar, reformar, compartilhar são formas de usufruir dos produtos sem gastar à toa. Gastar tem de fazer sentido para você e para a sociedade. Alugar roupa, alugar carro, reduzir impacto no meio ambiente e na sociedade

O que fazer para evitar o consumismo no final de ano?

- Não tenho Natal, mas tenho pessoas a quem quero presentear. Então, já estou fazendo a lista das pessoas, para ver quanto vou poder gastar com cada presente. Também no Ano Novo, essa história de comprar uma roupa nova branca todo ano não me pega. Não preciso de uma nova roupa. Tenho outras, de outros anos.

Livro: "Detox das Compras"

Autora: Carol Sandler

Selo: Benvirá

Preço: R$ 24,90

Lançamento: 22/11, 19h00, na Livraria Saraiva, shopping Higienópolis

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