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Merkel estende negociações para formar coalizão até domingo

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após uma madrugada de negociações, a chanceler alemã, Angela Merkel, estendeu nesta sexta-feira (17) até a tarde de domingo o prazo para dar início às negociações formais de uma nova coalizão de governo.

O prazo inicial venceu na quinta-feira (15), quando divergências entre os quatro partidos negociadores impediram um consenso. Agora Merkel, como líder do partido principal, a União Democrata-Cristã (CDU), tenta a tacada final.

Ela conduz há quase quatro semanas conversas preliminares com a legenda-irmã bávara CSU, Verdes e os liberais do FDP, sem conseguir superar impasses principalmente nas políticas migratória, europeia e climática.

Eles visam a criar a chamada coalizão "Jamaica", assim chamada porque as cores dos partidos formam as cores da bandeira do país do Caribe.

Caso não chegue a um acordo, Merkel tem duas opções: uma é tentar formar uma coalizão com seu antigo parceiro, o Partido Social-Democrata (SPD). Porém, após as eleições de 24 de setembro, o partido anunciou que passaria à oposição e não parece querer mudar de posição.

A outra opção -inédita na Alemanha do pós-Guerra-, é dissolver o Parlamento e convocar novas eleições em dois meses.

Analistas temem que novas eleições possam levar a um fortalecimento da direita populista na figura da Alternativa para a Alemanha (AfD), recém-chegada ao Parlamento, além de provocar uma desvalorização do euro.

'VAI SER DURO'

"Entro nessas negociações com a intenção, apesar de todas as dificuldades, de levar adiante a tarefa que nos foi dada pelos eleitores de formar uma coalizão", disse Merkel nesta sexta ao chegar para nova rodada de conversas. "Vai ser duro, mas vale a pena ir ao segundo round."

Volker Kauder, líder do bloco parlamentar da CDU, afirmou que o partido está disposto a atender demandas dos Verdes na questão climática para garantir avanços.

"Sinto uma prontidão de todos os lados, e todo mundo tem de fazer concessões", afirmou. "As conversas exploratórias têm de terminar neste domingo."

O FDP não parecia tão otimista. Seu více-líder, Wolfgang Kubicki, disse à TV ARD que os partidos ainda estavam "tão distantes nos assuntos cruciais, como imigração, clima, finanças e segurança doméstica, que não consigo nem imaginar como podemos nos reunir no pouco tempo disponível".

Outro ponto que está causando desacordo nas negociações é a demanda dos Verdes de que a Alemanha retire de seu território todas as ogivas nucleares estacionadas no país, segundo documento exploratório vazado por jornais alemães.

Isso incluiria as cerca de 20 ogivas nucleares mantidas pelos EUA na base aérea de Büchel (oeste), segundo estimativas extraoficiais.

Nem EUA nem a Alemanha falam abertamente sobre a presença das armas americanas, herança da Guerra Fria, em território alemão. A demanda, que consta do trecho sobre defesa e política externa, não cita os EUA.

Membro da Otan (aliança militar ocidental), a Alemanha não é uma potência nuclear. Em 2011, após o desastre nuclear de Fukushima, no Japão, o governo Merkel anunciou planos para fechar todas as usinas nucleares do país até 2022.

"No âmbito da Otan, queremos assegurar que as armas nucleares remanescentes na Alemanha sejam retiradas e queremos suspender o programa de modernização", dizem os Verdes.

Os Verdes deixam claro que FDP, CSU e CDU são contrários à sua posição. Todos os quatro estão de acordo, porém, com o lançamento de uma ofensiva diplomática pelo desarmamento nuclear.

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