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Com atraso, maior reserva de petróleo do país deve produzir em novembro

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NICOLA PAMPLONA

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Com cerca de um ano de atraso, a Petrobras planeja para o próximo dia 15 o início da produção na área de Libra, a maior descoberta brasileira de petróleo. O projeto enfrentou problemas durante a etapa de construção da plataforma e após sua instalação.

A plataforma Pioneira de Libra, que fará testes de produção, está instalada na área desde maio, mas falha em um equipamento postergou o início das operações, que já havia sido adiado uma vez pelo atraso de sete meses na construção da unidade.

Quando contratou a plataforma ao consórcio formado por Odebrecht Óleo e Gás (OOG) e Teekay, em 2014, a Petrobras estimava o início da produção para o quarto trimestre de 2016. Após os atrasos nas obras, prorrogou o prazo para julho de 2017.

Considerando a capacidade de produção de 50 mil barris por dia e o petróleo a US$ 57 por barril, cada dia parado representa uma perda de receita de US$ 2,85 milhões para o consórcio.

Parte desse petróleo pertence à União, por meio da PPSA (Pré-Sal Petróleo SA). Licitada em 2013, Libra foi a primeira área do pré-sal concedida sob o modelo de partilha da produção, no qual o governo tem participação no consórcio.

A área é operada pela Petrobras, em parceria com a britânica Shell, a francesa Total e as chinesas CNOOC e CNPC. O contrato prevê que 41,65% da produção seja entregue à PPSA, após o desconto dos gastos com a produção.

Questionada nesta quarta (25) sobre a possibilidade de aplicação de multa ao consórcio, a Petrobras informou que não comenta detalhes comerciais.

A plataforma de Libra foi construída na China, com apenas 5% dos gastos direcionados a fornecedores brasileiros. Apesar do atraso nas obras, o diretor da OOG Jorge Mitidieri disse que o prazo de construção ficou dentro da média mundial.

O consórcio de Libra enfrenta ainda atrasos na contratação da primeira plataforma definitiva para o campo, que terá capacidade para produzir 180 mil barris por dia. O processo foi iniciado em 2015 e cancelado, segundo a Petrobras, por preços acima do mercado internacional.

Um novo processo foi aberto em 2016, prevendo a compra de bens e serviços no exterior e está hoje suspenso por liminar obtida pelos estaleiros nacionais.

A segunda plataforma definitiva da área será licitada no início de 2018. O projeto inicial prevê quatro grandes unidades.

UNIÃO

A própria PPSA também encontra dificuldades para iniciar a venda do petróleo a que tem direito nas áreas da União hoje em produção. A empresa previa contratar uma empresa comercializadora em outubro, mas o prazo não foi cumprido.

Em entrevista nesta quarta, o diretor de Gestão de Contratos do Pré-Sal da PPSA, Hércules Ferreira da Silva, a estatal agora planeja começar a vender o petróleo apenas no primeiro trimestre de 2018. A empresa chegou a negociar com a Petrobras a prestação do serviço, mas as conversas não avançaram.

Agora, está licitando a contratação de um agente comercializador, mas a expectativa é que o processo só seja concluído no fim de 2018. Enquanto isso, negocia com o governo uma alternativa para a contratação direta do serviço.

O problema atrasa também a arrecadação do governo com a produção de outros campos, como Lula e Sapinhoá, os dois maiores do país, que têm parte de suas jazidas em áreas ainda não contratadas.

Em seu balanço de 2016, a PPSA disse que, até o fim do ano passado, já tinha direito a um volume acumulado de petróleo de 11,6 milhões de barris.

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