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Banco dos Brics demite brasileiro que chamou impeachment de golpe

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MARIANA CARNEIRO

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O Banco dos Brics comunicou nesta quinta-feira (12) a demissão do economista brasileiro Paulo Nogueira Batista Jr. da vice-presidência da instituição.

Segundo porta-voz do NDB (New Development Bank), o desligamento foi decidido pelo conselho de administração do banco, formado pelos ministros das finanças dos cinco países membros (Brasil, Índia, Rússia, China e África do Sul).

"Um novo vice-presidente do Brasil será indicado em breve", informa o comunicado. A indicação caberá ao Ministério da Fazenda.

O afastamento ocorreu após a abertura de processo que questionava a violação do código de conduta de executivos do banco, que proíbe a manifestação de opinião sobre a política interna dos países membros.

Há cerca de dois meses, provocado pelo governo brasileiro, o banco abriu um processo disciplinar para investigar Batista Jr. O principal motivo foram artigos publicados pelo economista.

Ligado ao PT, Batista Jr. chegou à vice-presidência do NDB por indicação da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Ele também foi representante do Brasil no FMI (Fundo Monetário Internacional) durante a gestão da petista.

Nos anos 1980, foi secretário especial do Ministério do Planejamento, na gestão de João Sayad, e assessor para assuntos de dívida externa do Ministério da Fazenda, sob Dilson Funaro (1986-87).

Em abril do ano passado, em artigo em "O Globo", Batista Jr. afirmara que o processo que levou ao impeachment de Dilma foi um golpe.

A gota d'agua, segundo apurou a Folha, foi um artigo publicado em julho em que atacou o juiz Sérgio Moro, sem nomeá-lo, por ter decidido pela condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sobre a sentença, o economista escreveu:

"É difícil encontrar um documento que sintetize de forma tão perfeita o nosso quadro de decadência moral, intelectual, profissional e política. O juiz bateu recordes de desfaçatez".

Procurado, o economista não foi localizado pela reportagem.

MEIRELLES

Segundo o ministro Henrique Meirelles, a decisão faz parte de um "processo normal de substituição de executivos", disse ele, nesta sexta-feira (13), em Washington, ao ser questionado sobre o afastamento.

"É uma decisão exclusiva tomada pela diretoria do banco, que é autônoma, e depois simplesmente aprovada em termos finais pela Junta", disse, acrescentando que o banco "teve suas razões, e tudo bem".

O ministro disse que o governo deve ter um novo nome para apresentar para o posto nas próximas duas semanas. "Tão logo tivermos [um nome], anunciaremos."

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