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Meirelles diz que é "normal" que S&P considere rebaixar nota sem reforma

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ISABEL FLECK

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse nesta sexta-feira (13) em Washington que é "absolutamente normal" que a agência de classificação de risco S&P Global Ratings considere rebaixar novamente a nota de crédito do Brasil se o governo fracassar em aprovar a reforma da Previdência.

"Nós temos dito -e várias vezes repetido- que a aprovação da Previdência é fundamental para a sustentabilidade a longo prazo das contas públicas no Brasil, e que quanto mais cedo isso ocorrer, melhor", disse o ministro durante a Conferência Econômica sobre o Brasil, organizada pela Câmara de Comércio Brasil-EUA na capital americana.

Ele, contudo, disse que as agências têm dado "uma demonstração de confiança muito grande no Brasil". "Elas estão cumprindo a sua função, fazendo seus alertas, que estão em linha com tudo aquilo que temos dito e temos, de fato, mostrado", declarou Meirelles. "Eu não me preocupo com o trabalho deles, mas eles têm que se preocupar com o nosso."

Na quinta (12), Joydeep Mukherji, analista da S&P Global Ratings, disse, numa apresentação pela internet, que, se o governo não conseguir aprovar ou mesmo se indicar que tenta ganhar tempo para negociar a reforma da previdência, a nota de crédito do país pode sofrer novo rebaixamento.

Pela S&P, o Brasil tem nota BB, com perspectiva negativa, o que significa que o país tem uma chance em três de sofrer novo rebaixamento.

A agência espera alguma sinalização de que o Planalto tentará passar a reforma antes do início das campanhas para as eleições de 2018. Meirelles disse, nos EUA, que a expectativa do governo é que a reforma seja ainda aprovada neste ano.

PRIVATIZAÇÃO DA ELETROBRÁS

Questionado, durante sua palestra, se considerava ser possível privatizar a Eletrobrás no próximo ano, Meirelles se mostrou otimista.

"Acho que sim. Eu acho que é viável, é possível", disse o ministro, destacando que a privatização da Eletrobrás "poderá ser tão importante quanto a privatização das telecomunicações".

Em agosto, durante um congresso internacional do mercado financeiro realizado em Campos do Jordão (SP), Meirelles já havia afirmado que a agenda de privatizações do governo, que inclui a venda da participação acionária na Eletrobrás e ativos como a Casa da Moeda e o aeroporto de Congonhas, pode ser concluída até o final do mandato do presidente Michel Temer.

O ministro ainda falou, em sua palestra, que o governo está para enviar para o Congresso o projeto que propõe acelerar a recuperação judicial de empresas com dificuldades financeiras.

"O projeto está praticamente pronto. Ele foi feito pelas áreas técnicas, finalizado no Ministério da Fazenda e entregue na Casa Civil para análise formal", disse, acrescentando que ele será enviado ao Congresso "nas próximas semanas".

"Talvez, até quem sabe, [ele seja enviado] na próxima semana. Ele é um projeto muito bem fundamentado e estruturado, feito com a participação de um grande número de pessoas de diversos setores", disse. "Do ponto de vista das empresas, ele é absolutamente fundamental."

BANCO DOS BRICS

O ministro foi questionado ainda sobre o afastamento do economista Paulo Nogueira Batista da função de vice-presidente executivo do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) - o banco do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

Segundo ele, a decisão faz parte de um "processo normal de substituição de executivos". "É uma decisão exclusiva tomada pela diretoria do banco, que é autônoma, e depois simplesmente aprovada em termos finais pela Junta", disse, acrescentando que o banco "teve suas razões, e tudo bem".

O ministro disse que o governo deve ter um novo nome para apresentar para o posto nas próximas duas semanas. "Tão logo tivermos [um nome], anunciaremos."

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