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Presidente da Petrobras abre pregão em Nova York e tenta atrair investidor

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SILAS MARTÍ

NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) - De sorriso estampado no rosto, o presidente da Petrobras abriu nesta segunda-feira (2) o pregão da Bolsa de Valores de Nova York. Impulsionado pela joint venture fechada com a ExxonMobil na semana passada para explorar a bacia de Campos, Pedro Parente tentou seduzir investidores americanos anunciando um novo preço de equilíbrio para o barril do petróleo.

"Quando o preço do barril estiver acima dos US$ 31, quer dizer que a nossa operação já é rentável", afirmou Parente à reportagem, em Nova York.

Neste que parece ser o início da recuperação da estatal, em crise com a queda nos preços do barril de petróleo e por causa das investigações da Operação Lava Jato, Parente montou uma apresentação quilométrica para convencer os americanos de que a empresa já saiu do buraco.

"O que a gente fez foi uma apresentação completa da situação", disse Parente. "Considero uma reunião muito boa porque trouxemos informações novas. A empresa já está se recuperando há algum tempo. Todos os indicadores melhoraram bastante."

Entre outros argumentos que executivos da Petrobras alinhavaram atrás de portas fechadas na Bolsa de Nova York está um prazo maior para pagar US$ 31 bilhões de dívida que venceriam no ano que vem —esse valor, uma parte ínfima de um total de quase R$ 400 bilhões devidos pela petroleira, agora deverá ser quitado só em 2020.

O ensaio da Petrobras para a saída da crise também envolve a liquidação de ativos, passando pela abertura de capital da BR Distribuidora. Na semana passada, o conselho da estatal autorizou a oferta de 25% a 40% dos papéis da empresa, o que poderia render até R$ 12 bilhões.

No total, a estatal espera arrecadar R$ 21 bilhões com a venda de ativos, entre eles gasodutos no Nordeste e parte da petroquímica Braskem.

"Eles ficaram muito impressionados com o resultado do processo de reorganização da dívida e com o alcance da mudança dos resultados da empresa", acrescentou Parente. "A gente comparou com 2013, quando o petróleo ainda estava acima de US$ 100, e agora, quando o preço médio está acima dos US$ 40, e nossa situação financeira está muito melhor."

Enquanto isso, nos Estados Unidos, a Petrobras ainda é alvo de ações movidas por investidores que se sentiram lesados depois que vieram à tona denúncias de corrupção de executivos da empresa.

Pelo menos 20 acordos já foram fechados para evitar que casos fossem a julgamento, o que custou mais de US$ 400 milhões à empresa até o segundo trimestre deste ano.

"Explicamos que o assunto está aguardando uma decisão da Corte de Apelações", disse Parente. "Não temos nada a fazer a não ser esperar."

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