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ATUALIZADA - PIB do Brasil sobe 0,2% no 2º tri e economia dá sinais de recuperação

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MARIANA CARNEIRO E LUCAS VETTORAZZO

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A economia brasileira cresceu no segundo trimestre do ano, e a composição do resultado, segundo analistas, indica que a atividade começa a se recuperar.

O IBGE informou nesta sexta-feira (1º) que o PIB teve alta de 0,2% de abril a junho, frente aos três meses anteriores. Em relação ao mesmo período do ano anterior, a economia avançou 0,3%.

O resultado ocorre após o PIB ter crescido 1% no primeiro trimestre, puxado pelo setor agropecuário, o que foi comemorado pelo governo de Michel Temer como o fim da recessão.

O número ficou acima do que esperavam analistas consultados pela agência Bloomberg. A aposta central era de que o PIB subiria 0,1% na comparação com o trimestre anterior.

No acumulado em quatro trimestres, a queda é de 1,4%.

No segundo trimestre, o setor agropecuário ficou estável, como era previsto, passado o efeito benéfico da colheita da safra recorde de grãos.

Zeina Latif, economista-chefe da XP Investimentos, afirma que a economia está no início de um processo de retomada, o que é esperado após três anos de recessão.

A inflação mais baixa e os juros decrescentes são o principal fator de estímulo, avalia a analista.

"Como o efeito da política monetária é crescente, o que começamos a ver agora é apenas o início da recuperação que veremos até o fim do ano", afirmou.

CONSUMO

Como resultado desse contexto, a renda das famílias está em recuperação, o que impulsionou o consumo após mais de dois anos de contração.

Segundo o IBGE, o consumo das famílias cresceu 1,4% no segundo trimestre em relação aos primeiros três meses do ano, primeiro resultado positivo desde o fim de 2014.

Na comparação com o mesmo período do ano passado, o resultado também ficou positivo em 0,7%.

Esse número é relevante porque o consumo responde a 65% do PIB. É a conta mais importante de demanda da economia.

O IBGE diz que o consumo das famílias foi influenciado pelo enfraquecimento da inflação no segundo trimestre -que chegou a ser negativa em junho- e pela queda da Selic, a taxa básica de juros, além do crescimento dos salários no período.

Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, porém, afirma ser preciso olhar outras comparações. No acumulado do primeiro semestre, o consumo das famílias registrou queda de 0,6%, embora menos intensa que nos trimestres anteriores.

Zeina afirma que os indicadores de endividamento das famílias melhoraram, o que abriu caminho para a retomada do crédito. Leitura semelhante ao do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, em entrevista à Folha de S.Paulo.

Os saques das contas inativas do FGTS e o encerramento do ciclo de demissões, antes do que previam os economistas, contribuem para este cenário.

Dessa maneira, os serviços ficaram positivo no segundo trimestre, com alta de 0,6% ante os primeiros três meses do ano. Em relação ao segundo trimestre do ano passado, a queda é de 0,3%.

Para Silvia Matos, coordenadora do boletim Macro do Ibre/FGV, a composição do PIB sugere que o segundo semestre será de resultados positivos.

"Números negativos para o PIB não estão mais no nosso radar", disse a economista.

Matos, porém, é mais receosa quanto à força da retomada. Embora mantenha previsão de crescimento de 0,3% neste ano e de 2% a 2,2% no ano que vem, ela afirma que há muitas incertezas que podem afetar o ritmo de recuperação da economia.

O principal risco vem do desempenho negativo das contas públicas e da turbulência política.

O deficit orçamentário piorou desde a divulgação do último PIB. E o governo, envolto em denúncias de corrupção contra o presidente Temer e seus principais assessores, perdeu força política na negociação com o Congresso Nacional por medidas que geram receitas.

"O mercado nos deu mais tempo para nos ajustarmos, e os juros mais baixos nos deixaram um pouco anestesiados. Mas um próximo baque ainda pode vir", disse. "Nada que aborte a recuperação, mas que pode torná-la mais lenta".

PIB

O PIB, Produto Interno Bruto, é um dos principais indicadores de uma economia. Ele revela o valor adicionado à economia em um determinado período.

O PIB pode ser calculado pela ótica da oferta e pela ótica da demanda. Os métodos devem apresentar o mesmo resultado.

Desde o último trimestre de 2014, o IBGE passou a aplicar diretrizes da ONU que alteraram parcialmente os cálculos para o PIB. Investimentos em pesquisa e desenvolvimento, prospecção e avaliação de recursos minerais (mesmo que não sejam encontradas, por exemplo, jazidas de minério ou petróleo) e aquisição de softwares passaram a ser contabilizados no PIB.

Antes, eram encarados como despesas intermediárias e descontadas do cálculo. Pela nova metodologia, os gastos governamentais com a compra de equipamentos militares também passam a ser considerados como investimento, por exemplo.

REVISÕES

O IBGE revisou o desempenho de alguns componentes do PIB no primeiro trimestre. O resultado não se alterou e continua sendo de uma expansão de 1% frente ao quarto trimestre de 2016.

A agropecuária teve o crescimento revisto para baixo: em vez dos 13,4% apontados na medição anterior, houve expansão de 11,5% no primeiro trimestre.

O consumo das famílias, que ainda mostrava retração na medição anterior, agora foi ficou em zero no primeiro trimestre.

Os investimentos tiveram um desempenho menos negativo do que informado anteriormente pelo IBGE –caíram 0,9%, e não 1,6%, como informado na primeira divulgação.

Os serviços, que apontavam estabilidade (0%) no primeiro trimestre, agora cresceram 0,2% no período.

As revisões das contas do PIB são comuns e decorrem de melhor leitura dos dados, além de ajustes no cálculo que retira os efeitos sazonais e permite a comparação entre períodos diferentes.

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