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Bolsa recua e dólar fecha em alta por tensão entre EUA e Coreia do Norte

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O mercado brasileiro acompanhou, nesta quarta-feira (9), o aumento da aversão a risco no exterior com a escalada da tensão entre Estados Unidos e Coreia do Norte e precificou essa preocupação na Bolsa, que caiu, e no dólar, que se valorizou.

O Ibovespa, índice das ações mais negociadas da Bolsa brasileira, caiu 0,34%, para 67.671 pontos.

O dólar comercial subiu 0,67%, para R$ 3,152. O dólar à vista se valorizou 0,67%, para R$ 3,148. É o segundo dia em que a crise geopolítica entre Estados Unidos e Coreia do Norte respinga no mercado financeiro.

A tensão se intensificou após testes de mísseis intercontinentais realizados pelo regime de Kim Jong-un. No último sábado (5), o Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) aprovou novas sanções contra a Coreia do Norte em resposta aos lançamentos.

As medidas podem reduzir em até um terço a receita de exportação anual do país asiático, que é de US$ 3 bilhões, e afetar o comércio com a China, seu principal parceiro.

Na segunda (7), o regime norte-coreano ameaçou se vingar "mil vezes" dos EUA, que lideraram as negociações para aprovar as sanções. Nesta terça, o país disse que usaria todos os seus recursos para tomar uma "ação física" em retaliação.

O presidente americano, Donald Trump, prometeu na terça (8) responder com "fogo e fúria" e com um poder "que o mundo nunca viu" se a Coreia do Norte fizer mais ameaças ao país.

"A tensão geopolítica entre EUA e Coreia do Norte fez com que os investidores corressem para a segurança de ativos como iene, ouro, dólar e franco-suíço. É um ambiente de proteção", afirma Raphael Figueredo, analista da Clear Corretora.

Com esse fator externo, os investidores aproveitaram para embolsar lucros, após a Bolsa brasileira recuperar patamares em que estava antes da crise causada pela delação do empresário Joesley Batista, da JBS. "Criou-se espaço para quem não teve oportunidade de zerar o lucro naquela época zerar agora", complementa.

AÇÕES

Entre as 59 ações do Ibovespa, 38 caíram, 19 subiram e duas encerraram o dia estáveis.

Entre as altas, as ações da Petrobras refletiram o avanço dos preços do petróleo e subiram. Os papéis mais negociados tiveram valorização de 0,22%, para R$ 13,52. As ações que dão direito a voto ganharam 0,50%, para R$ 13,97.

"A Petrobras só não foi para terreno negativo porque o petróleo deve subir devido à tensão geopolítica e porque o resultado da empresa sai nesta quinta. Há rumores de que o balanço vai vir bom", diz Figueredo.

As ações da mineradora Vale terminaram em terreno negativo, acompanhando a queda dos preços do minério. Os papéis mais negociados da empresa caíram 1,64%, para R$ 29,36. As ações ordinárias perderam 0,41%, para R$ 31,92.

No setor financeiro, os papéis do Itaú Unibanco caíram 0,63%. As ações preferenciais do Bradesco subiram 0,06%, e as ordinárias recuaram 0,71%. Os papéis do Banco do Brasil, que apresenta seu resultado também nesta quinta, caíram 1,85%. As units -conjunto de ações- do Santander Brasil perderam 0,59%.

As ações da JBS, que dispararam 7,55% na sessão anterior, caíram 3,63% nesta quarta e encabeçaram as quedas do Ibovespa.

RISCO

A valorização do dólar ocorreu frente às principais divisas mundiais. A moeda americana se fortaleceu ante 24 das 31 principais moedas do mundo.

O CDS (credit default swap) brasileiro refletiu o aumento da aversão a risco e subiu 1,12%, para 199,4 pontos.

No mercado de juros futuros, a taxa da maioria dos contratos avançou. O contrato para janeiro de 2018 subiu de 8,175% para 8,185%. O contrato para janeiro de 2019 avançou de 8,020% para 8,090%.

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