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ATUALIZADA - Condenação de Lula devolve Bolsa e dólar a patamar pré-delação da JBS

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DANIELLE BRANT

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A notícia da condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo juiz Sergio Moro nesta quarta (12) devolveu o mercado financeiro ao patamar em que estava antes da delação do empresário Joesley Batista, que mergulhou o governo Michel Temer em uma crise política e ameaçou a agenda reformista.

A Bolsa brasileira teve alta de 1,57% e encostou nos 65 mil pontos. O dólar fechou na casa de R$ 3,20. Ambos estão nos melhores níveis desde 17 de maio, quando veio à tona a notícia de que Joesley tinha áudios de conversas com Temer falando sobre a solução de "pendências" com o ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

O risco-país medido pelo CDS (credit default swap, espécie de seguro contra calote) também refletiu o alívio dos investidores e recuou 2,86%, retrocedendo ao patamar pré-delação.

O ex-presidente Lula foi condenado a 9 anos e 6 meses de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex de Guarujá (SP).

O mercado financeiro, que já tinha um dia positivo após a aprovação da reforma trabalhista no Senado, reagiu com "euforia" à notícia, divulgada por volta de 14h. Em dois minutos, a Bolsa saiu dos 63.875 pontos para 64.224 pontos. O dólar, que era cotado a R$ 3,223, caiu para R$ 3,215 no mesmo intervalo.

Para analistas, a condenação do ex-presidente, se confirmada em instâncias superiores, impediria Lula de concorrer às eleições presidenciais de 2018, garantindo a manutenção da agenda reformista implementada pelo governo Michel Temer.

"Desde 18 de maio, criaram-se vários cenários possíveis, mas não havia um cenário provável para o fim de 2017 e início de 2018. Com a notícia, começamos a excluir alguns cenários. Para investidor de Bolsa, é importante ter maior previsibilidade", avalia Marco Saravalle, analista da XP Investimentos. "Com incerteza, o empresário não investe. Com um cenário mais claro, ele consegue se posicionar."

Para Camila Abdelmalack, economista da CM Capital Markets, sem Lula na disputa, as mudanças necessárias para consolidar o ajuste fiscal de que o país precisa estão mantidas. A leitura do mercado era que, se o ex-presidente ganhasse as eleições presidenciais, as "reformas poderiam ir por água abaixo", afirma.

"A gente não sabe em que momento a reforma voltaria a andar com um governo petista. Temos reformas no âmbito de política fiscal que envolvem o direito do trabalhador e que vão contra os princípios do PT", complementa. "Agora, diminui a chance de haver recuo na agenda reformista e o mercado reagiu positivamente a isso."

Não há um nome forte dentro do PT ou na esquerda que poderia tomar o lugar do ex-presidente na disputa presidencial e ameaçar as reformas, avalia André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos. "A esquerda, na eventualidade da saída do Lula, vai ter que se reinventar. Esse ânimo todo no mercado foi porque os traços mais anacrônicos do PT estão sendo encerrados e substituídos por agenda mais modernizante."

AÇÕES

O Ibovespa, índice que reúne as ações mais negociadas do mercado brasileiro, subiu 1,57%, para 64.835 pontos. O volume financeiro do dia foi de R$ 10,149 bilhões, acima da média diária do ano, de R$ 8,12 bilhões. O giro financeiro foi influenciado pelo exercício de opções sobre o índice, que elevou o volume negociado na sessão.

As ações da Petrobras, que acompanhavam a alta dos preços do petróleo no exterior e reagiam à notícia da oferta de ações da BR Distribuidora, ganharam fôlego e intensificaram a valorização. Os papéis mais negociados da estatal dispararam 4,95%, para R$ 12,94. As ações que dão direito a voto tiveram ganho de 3,90%, para R$ 13,58.

O otimismo também dominou o setor financeiro, o de maior peso dentro do Ibovespa. As ações do Itaú Unibanco subiram 1,08%. Os papéis preferenciais do Bradesco se valorizaram 2,65%, e os ordinários subiram 4,38%. As ações do Banco do Brasil tiveram alta de 2,85%, e as units —conjunto de ações— do Santander Brasil avançaram 2,71%.

A desvalorização do dólar em relação ao real afetou o desempenho das ações de exportadoras. Os papéis da Embraer lideraram as baixas, com queda de 2,32%. As ações da Fibria caíram 2,05%, as da Klabin perderam 1,70% e as da Suzano registraram desvalorização de 0,74%.

Os papéis da mineradora Vale fecharam o dia sem sinal definido, reflexo da queda de 2,06% dos preços do minério de ferro. As ações mais negociadas da empresa subiram 0,21%, para R$ 28,08. Os papéis com direito a voto caíram 0,47%, para R$ 29,90.

CÂMBIO

O dólar comercial encerrou o dia em baixa de 1,41%, para R$ 3,208. É o menor patamar desde 17 de maio, quando fechou a R$ 3,134. O dólar à vista, que fecha mais cedo e não refletiu a reação do mercado à notícia, recuou 1,08%, para R$ 3,216 —também no nível pré-delação da JBS.

O Banco Central deu continuidade a suas atuações no mercado cambial e vendeu 8.300 contratos de swaps cambiais (equivalentes à venda de dólares no mercado futuro), rolando os contratos que vencem em agosto. Até agora, a autoridade monetária já rolou US$ 1,245 bilhão do total de US$ 6,181 bilhões que vence no mês que vem.

Além do componente doméstico, a desvalorização do dólar se deu em linha com o enfraquecimento da moeda americana no exterior, após a presidente do banco central americano, Janet Yellen, confirmar que o aumento de juros nos Estados Unidos será gradual. O dólar perdeu força ante 27 das 31 principais divisas mundiais.

O livro Bege do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) confirmou a cautela de Yellen e indicou que a economia americana cresceu a um ritmo de "leve a moderado" nas últimas semanas em todas as regiões dos EUA.

Segundo o Fed, o crescimento do emprego manteve um "ritmo de modesto a moderado de expansão", enquanto os salários continuaram a subir a um ritmo modesto a moderado na maioria dos distritos. O livro Bege aponta pressões salariais em postos de alta e de baixa qualificação.

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