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Senadoras ocupam plenário por 7h e almoçam quentinhas às escuras

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TALITA FERNANDES E LAÍS ALEGRETTI

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Com direito a almoço de quentinhas no escuro, a mesa do plenário do Senado Federal foi ocupada por senadoras de oposição que se amotinaram por quase sete horas contra a aprovação da reforma trabalhista.

O presidente da Casa, Eunício Oliveira (PMDB-CE), passou quase todo o dia tentando retomar o posto. "É a primeira vez que vi isso na minha vida", afirmou.

Diante da impossibilidade de ter votos suficientes para derrotar o governo na reforma, a oposição recorreu à ocupação do espaço físico da mesa logo no final da manhã.

Um grupo de cinco senadoras participou da tentativa de barrar a votação: Fátima Bezerra (PT-RN) sentou-se na cadeira da presidência e foi acompanhada por Gleisi Hoffmann (PT-PR), Regina Souza (PT-PI), Vanessa Grazziotin (PC do B-AM) e Lídice da Mata (PSB-BA), que sentaram-se ao lado.

Cerca de uma hora depois, a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) uniu-se ao grupo: "Companheiras, estou aqui".

A resistência das senadoras em deixar a mesa irritou Eunício, que desligou os microfones e ordenou que as luzes fossem apagadas. O plenário permaneceu às escuras até pouco depois das 16h, quando foram feitos os primeiros movimentos para retomada da sessão.

"Eu vou assumir e vou desligar o som. Com licença, Fátima, com licença. Está encerrada a sessão e não tem som enquanto eu não sentar à presidência da mesa", afirmou.

Ao sair, Eunício disse que "nem na ditadura se fazia isso". Ele passou o dia trancado na presidência do Senado, onde recebeu até deputados numa tentativa de achar uma saída para o impasse.

Após as cerca de sete horas, as senadoras deixaram voluntariamente a mesa. Segundo Fátima, elas avaliaram que o "gesto político" contra a reforma atingiu seu objetivo.

Ao deixar a mesa, ela classificou de "extraordinária" a repercussão do ato, que classifica como "gesto político". Fátima e as outras quatro senadoras são alvo de um requerimento por quebra de decoro protocolado nesta terça no Conselho de Ética.

"Na medida em que não restou nenhuma outra alternativa de defender nosso posicionamento, fizemos esse gesto, que é gesto político, democrático, de resistência."

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