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Economia

ATUALIZADA - Sob efeito da crise, país volta a registrar deflação após 11 anos

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LUCAS VETTORAZZO

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Pela primeira vez em 11 anos, o Brasil registrou queda de preços de produtos e serviços, um movimento denominado deflação.

O IPCA, índice oficial de inflação apurado pelo IBGE, recuou 0,23% em junho, a primeira variação negativa desde junho de 2006.

O recuo ocorre em razão da recessão, com desemprego e endividamento das famílias, e também por quedas pontuais de preços da energia, dos combustíveis e dos alimentos.

O resultado veio abaixo do que esperava o mercado, que projetava deflação de 0,18%.

O dado de junho é o mais baixo desde o -0,51% registrado em agosto de 1998.

Em 12 meses, o índice ficou em 3%, exatamente no piso da meta do governo, de 4,5%, com limite de tolerância de 1,5 ponto percentual, para cima ou para baixo.

A deflação é notícia que, a princípio, soa positiva, dado que o país viveu período recente de inflação alta e convive até hoje com a memória da superinflação dos anos 1980 e início dos 1990.

Um período grande de queda de preços, no entanto, pode ser prejudicial para a economia, já que o movimento desestimula o investimento e pode levar a desemprego.

Segundo analistas, porém, o resultado de junho é fora da curva, e o fenômeno não deve se repetir em julho.

Segundo o economista Marcio Milan, da consultoria Tendências, a crise, que inibe o consumo, foi o que levou a inflação para seu patamar mais baixo, mas foram quedas pontuais de alimentos, combustíveis e energia que provocaram a deflação.

Os alimentos, que representam pouco mais de um quarto de todo o IPCA, caíram 0,50% no mês, sob influência de uma supersafra.

O índice de habitação, que verifica os custos que incidem sobre os lares, como serviços públicos, aluguéis e condomínios, recuou 0,77% no mês. O preço dos combustíveis recuou 2,84% em junho.

Houve forte redução, de 5,52%, nas contas de luz graças à mudança da bandeira vermelha para a verde, que não tem sobretaxa.

"Em julho, a energia deve sofrer alta com a mudança da bandeira para amarela. Os combustíveis, por sua vez, não devem cair tanto, assim como os alimentos. Não devemos ter deflação no mês", disse Milan, da Tendências.

Na opinião de André Perfeito, da corretora Gradual, "por mais que pesem questões sazonais no IPCA, está evidente que o ajuste recessivo em curso surtiu efeito".

TETO DE GASTOS

O IPCA em 12 meses acumulado até junho vai corrigir o teto de gastos estabelecido pelo governo de Michel Temer.

De acordo com a nova regra —que entrou em vigor neste ano, após a aprovação da chamada PEC do Teto—, a correção será limitada à inflação acumulada em 12 meses em junho do período anterior.

A intenção do governo é que o mecanismo vigore até 2036, com possibilidade de revisão em 2026.

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