Economia

Importação de álcool cresce 403% no 1º tri e preocupa agência reguladora

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NICOLA PAMPLONA

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A exemplo do que ocorre com a gasolina e com o diesel, as importações de etanol dispararam em 2017, com alta de 403% no primeiro trimestre, de acordo com a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). O número acendeu um alerta na agência, que decidiu avaliar medidas para reverter o quadro.

"Para um país que é o maior produtor mundial de etanol, é muito estranho. Vamos fazer um trabalho para entender o porquê de um país que tem uma oferta tão grande de matéria-prima não consegue transformar isso em combustível", afirmou nesta terça-feira (20) o diretor da ANP Aurélio Amaral.

Ele diz que, assim como no caso dos derivados de petróleo, os preços mais baixos no exterior podem justificar o aumento das importações de etanol, já que a grande produção de etanol de milho baixou o preço do combustível nos Estados Unidos.

Com a colheita da safra no segundo trimestre, Amaral acredita que as importações tendem a cair, mas afirma que o tema precisa ser discutido, para que sejam propostas medidas para incentivar a produção nacional.

No caso da gasolina e do diesel, houve aumento de 164% e 69% nas importações no primeiro trimestre. Os produtos importados já substituem a produção nacional de combustíveis, que atingiu em 2017 o pior nível da década.

"O principal fator é preço", comentou Amaral, em entrevista após evento sobre biocombustíveis no Rio.

Na semana passada, a Petrobras anunciou que vai realizar ajustes mais frequentes em seus preços para tentar reduzir as oportunidades de importações por terceiros. As refinarias da estatal operaram a 77% de sua capacidade no primeiro trimestre, o menor patamar nos últimos anos.

Neste caso, porém, a ANP diz que não pode interferir, já que os preços refletem a política comercial da Petrobras e de importadores.

REFINO

Também presente ao evento, o diretor de Petróleo, Gás e Biocombustíveis da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), José Mauro Coelho, disse que a tendência é que as importações de gasolina diminuam, mas o Brasil continuará deficitário em diesel e querosene de aviação.

Por isso, ele acredita que pode haver espaço para novos investimentos em refino no país. O governo já recebeu grupos chineses, indianos e iranianos interessados em investimentos no setor.

Em seu plano decenal de energia, atualmente em elaboração, a EPE, porém, não prevê novas refinarias até 2016. O único investimento no setor seria a ampliação da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

O Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro) não estará incluído no plano, disse Coelho.

"O Brasil tem grande oportunidade para o refino, porque está fora da rota comercial, tem um grande mercado consumidor e é grande produtor de petróleo", comentou Amaral, da ANP, que já conversou com grupos interessados.