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'O Brasil já é da família, como um primo', diz secretário-geral da OCDE

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MÁRIO CAMERA

PARIS, FRANÇA (FOLHAPRESS) - O Brasil não deve ter problemas para ver aprovado seu pedido de adesão à OCDE (Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico), garantiu o secretário-geral do organismo, Angel Gurría, em entrevista à Folha de S.Paulo nesta quarta-feira (7), pouco antes da abertura da reunião do conselho de ministros do grupo, em sua sede, em Paris.

"O Brasil cumpre plenamente com todas as condições prévias. Já é da família, como um primo muito próximo", disse Gurría.

Na semana passada, o governo brasileiro enviou um pedido formal de adesão à OCDE, colocando fim a anos de especulação sobre uma possível entrada oficial do país no grupo. A candidatura precisa, agora, ser aprovada pelo conselho da organização, composto por representantes de seus 35 países membros. A partir daí, terão início as negociações de entrada.

"A partir de amanhã [quinta], os membros [da OCDE] vão começar a discutir [sobre o pedido de adesão]. Em 12 de julho, haverá uma decisão para iniciar o processo", disse Gurría.

Gurría acredita que a proximidade e a longa colaboração entre Brasil e OCDE vão ajudar a acelerar o processo.

A rapidez do processo de análise do pedido se deve, segundo Gurría, à longa história de cooperação entre OCDE e Brasil, iniciada nos anos 1990 e elevada a um outro nível em 2007, quando o país passou a ser considerado "parceiro-chave" do organismo.

Dado o sinal verde à candidatura, o processo de adesão deve, no entanto, ter a mesma duração média de outros países: cerca de três anos. "O Brasil vai entrar numa interlocução com 25 comitês diferentes, cada um separadamente e em temas como saúde, educação, impostos, corrupção, transparência", entre outros, explicou Gurría.

Sobre a crise política vivida no país e seu possível impacto sobre a candidatura brasileira, Gurría disse que a OCDE segue "com muito interesse os acontecimentos no Brasil" e que o organismo continuará o processo de "avançar na parte substancial em todos esses comitês, que seguirão trabalhando em paralelo" às decisões da política nacional.

"O que é muito importante é a forma como se resolve e como se abordam [os problemas políticos], que seja pela via constitucional e pela via da legalidade", concluiu Gurría.

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