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BNDES não cria investimentos, apenas atende à demanda, diz presidente

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LUCAS VETTORAZZO E NICOLA PAMPLONA

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - No dia da divulgação de alta de 1% do PIB brasileiro no primeiro trimestre deste ano, e quando autoridades já falam que a economia deixa a recessão, o novo presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro, afirmou que o banco de fomento não criará investimentos na economia.

Em sua fala, dita a jornalistas pouco antes de sua cerimônia de posse no banco, no centro do Rio, o presidente quis dizer que o banco, sim, tem capacidade de financiar investimentos. Depende, agora, da demanda das empresas por empréstimos do banco.

Rabello de Castro assumiu o banco em substituição a Maria Silvia Bastos Marques, presidente que sofria pressões do empresariado para liberar mais créditos na economia.

Ele afirmou, contudo, que se não havia empréstimos em curso, era porque não havia demanda. Ele chegou a dizer que "muito pouca coisa fará de diferente" em relação a sua antecessora.

"O BNDES não cria investimentos. Ele dá suporte, estimula investimentos. É preciso que haja o ator desse investimento, que é o empresário, principalmente o industrial de pequeno porte, aquele que é anônimo", disse.

Perguntado sobre as reclamações dos empresários, ele disse que elas não ocorrerão mais.

"Espero que não haja mais reclamações. Porque estamos assumindo aqui que, se houver demanda, haverá oferta", disse ele.

Rabello disse que "há uma injustiça gravíssima" com Maria Silvia.

Ele disse que os desembolsos começaram a cair no dia seguinte à reeleição de Dilma Rousseff, em 2014, e só estabilizaram com a entrada de Maria Silvia no banco, há cerca de um ano.

A despeito da melhora do PIB, o investimento é um dos fatores da economia que resistem a melhorar.

No primeiro trimestre, o investimento no PIB recuou 1,6% em relação ao trimestre imediatamente anterior.

Rabello de Castro é um economista que se destaca pelas frases de efeito. Ele disse que um de seus desejos à frente do banco era botar o país novamente "para jogar bola novamente, porque a economia brasileira ainda está parada no 7 a 1".

Ele disse que o BNDES atuará como "excelente jardineiro", num momento que classificou de retomada da demanda, do início de uma "brotação", "um início de primavera".

O trabalho, disse ele, será o de uma "formiguinha de açúcar". "Todo mundo diz para ela não subir no pote, mas ela vai e acaba sendo a única a comer sozinha".

"A formiguinha prescinde à politica e vamos mandar brasa", disse ele, ao tentar explicar que a agenda do banco será independente da agenda política.

Disse ainda que, diante da gravidade da crise política, o país depende muito mais de Freud do que de um economista.

JBS

Rabello de Castro defendeu ainda as antigas "campeãs nacionais", empresas que tiveram aportes do BNDES como politica de Estado nos governos do PT.

Ele disse que "essas empresas que a gente lincha hoje, eram as princesinhas nacionais".

Segundo ele, é preciso que não se confunda "empresários que cometeram mal feitos com empresas que empregam centenas de milhares de brasileiros e que até ontem recebiam notas de louvor".

Rabello de Castro reafirmou que fará uma avaliação de todos os financiamentos do banco nos próximos 45 dias.

Ele disse ser contra concentrações de mercado, mas afirmou que é preciso que, a despeito das denúncias de supostas irregularidades na política anterior, as empresas brasileiras sejam valorizadas.

"Vou tratar com carinho as empresas e com dureza os gestores. Não podemos jogar o bebê fora junto com a água do banho", disse.

LAVA JATO

Rabello de Castro foi questionado sobre o fato de seu genro Bruno ser um dos envolvidos na Lava Jato.

O genro de Castro é Bruno Luz, apontado como lobistas do PMDB, preso em fevereiro junto com seu pai, Jorge Luz. Os dois são suspeitos de intermediarem interesses do partido junto ao esquema na Petrobras.

O economista disse lamentar a prisão de seu genro, mas ressaltou que nunca teve qualquer relação comercial com Luz, nem conhecimento de negócios ilícitos.

"Infelizmente, devido ao acumulo de demanda na Justiça Federal de Curitiba, as prisões preventivas estão demorando muito. Eu sinto porque meus netos sentem falta do pai", disse.

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